19.12.07

Provasi

É isso mesmo, caros leitores. Meu nome mudou. A partir de hoje assino Beatriz Provasi. Adotei, enfim, meu nome artístico. Trata-se do sobrenome da minha avó Doda, que morreu antes mesmo d'eu nascer. Homenagem à matriarca italiana da família que infelizmente eu não pude conhecer, mas que de algum lugar me sorri!... Os familiares que a conheceram dizem que eu me pareço com ela (sem dúvida, o protuberante nariz italiano é marcante nas duas - já vi fotos dela...). Não sei se é apenas necessidade de ver Doda em algum lugar... Mas ela está aqui. E agora vai comigo a todo lugar. No meu nome. Provasi.

11.12.07

guia de viagem

brota um querer
tomado de êxtase e fúria
certo como 2 e 2 e 2...
cresce o querer
na extensão do corpo

toma forma
e poros afora
vaza
e evapora
vai dar na imensidão dos ares
sigo o vôo de cada partícula
vou longas asas
abraçar o infindável
e mesmo lá do alto
pisar a terra
os pés no chão
no seu pulsar
ritmo das passadas
caminhar
um querer, um guia
excursão, a vida
mudem as rotas
alterem-se os mapas
vigore toda uma nova geografia!...
conheço a terra que piso
abro a facadas minha trilha
invento novas vias
atalhos, alguns
mas me encanta
a sinuosidade
das voltas
a languidez
dos zigue-zagues
a obliqüidade
dos retornos
nunca ao mesmo lugar
o lugar nunca é o mesmo
não sou eu a mesma ao voltar
o querer é a linha de chegada
mas não desprezo o prazer
de uma boa caminhada
fotografo com o olhar
cada paisagem
a bagagem carregada de desejos
largo alguns pelo caminho
quando o que levo pesa
e me quero leve
sempre guardo espaço
pra levar lembranças
e em cada canto
tudo mais que ecoar
o querer que hoje me guia
me leva muito a viajar
são viagens a outros estados
sólidas, líquidas, gasosas
são viagens ao exterior
ou incursões

dentro de mim.

7.12.07

Canudos - ainda e sempre

Um pesquisador argentino que faz trabalho sobre Canudos encontrou meu blogue não sei como e me pediu que lhe enviasse as minhas impressões da cidade. Me pus a escrever, escrever, escrever, reviver tudo e mais e segue abaixo o texto que lhe enviei:

Vou então relatar as minhas impressões sobre a cidade. Como estava lá durante um evento cultural de grande porte (a apresentação do espetáculo "Os Sertões", que se desenrola em 5 dias, com mais de 27 horas no total, mais de 40 atores, mais a equipe técnica e espectadores de fora que povoaram a cidade, shows na praça e tal), não vivi o dia-a-dia normal da cidade. Mas conversei com alguns canudenses. Posso te passar, por isso, algumas informações equivocadas ou imprecisas.
A minha primeira impressão, ao chegar, foi surpresa. A cidade é bem maior do que eu imaginava. E apesar do clima seco, tinha água abundante. O Açude Cocorobó também é bem maior do que eu imaginava. E há dois pontos para banho: a prainha e o jorrinho. Eu não saí da cidade. E podia ter ficado com uma impressão de abundância. Mas conversando com canudenses, soube que a seca assola mesmo as regiões rurais, algumas distantes 3 horas do centro, onde não chegam as águas do açude. Não há um sistema de irrigação.
A paisagem é árida. Fauna e flora típicas da caatinga. O povo ria quando nós, turistas da cidade grande, tirávamos fotos de cabras, burros e porcos passeando livremente pelas ruas. Come-se muito carne de bode e de carneiro (que eu provei e gostei).
As estradas de acesso à cidade são de terra e muito mal conservadas. Há poucos ônibus para Canudos. Há um direto de Salvador. Mas de Aracaju (de onde fui), tem que se pegar um ônibus pra Jeremoabo, e de lá, pega-se outro para Canudos. Enfim, o acesso não é muito fácil. A viagem é longa e cansativa (levei 9 horas de Aracaju pra lá). O ônibus, bem cacarecado, vai parando para pegar e deixar passageiros pelo caminho. A poeira que sobre da estrada, aliada ao sol forte, torna a viagem ainda mais penosa. Sente-se a garganta seca e áspera. A água que carrego na bolsa não ameniza, de tão quente que está, causa enjôo. Mas ao chegar, encontro um pôr do sol recompensador e cerveja gelada. Há muitos bares. E alguns cachaceiros.
Não há opções de cultura e lazer. No último dia lá, conversei com uma senhora que se queixava disso. Que após a saída da peça, restaria um vazio na cidade. O único divertimento que tem é ver televisão. O povo é muito conservador. No primeiro dia da peça, a cada aparição de um ator nu em cena, era um rebuliço na platéia. As pessoas comentavam escandalizadas e quase não se ouvia o que os atores falavam. Alguns até se retiravam. Como o tempo, o público foi sendo conquistado, foi se acostumando, foi se soltando e até participando das cenas em que os atores puxam pessoas do público para o palco. Achei lindo, realmente emocionante, esse movimento de conquista. Porque as pessoas lá não estão acostumadas com teatro, especialmente esse tipo de teatro, que mexe tanto com a libido. Mas a força da encenação, além das cenas de nudez e sexo, é tão grande, que conseguiu trazer o público para junto de si, que lotou o teatro todos os dias. Muitos inclusive ficaram de fora, infelizmente, por não conseguirem ingresso. Mas os shows com os músicos do grupo após a peça eram abertos, em praça pública, uma grande confraternização, coroada com a enorme ciranda no último dia formada por artistas, turistas e canudenses, abraçando a praça, um abraço em Canudos e em cada um de nós.
Foi um grande acontecimento na cidade. Mas como me disse aquela senhora, agora deve restar um vazio. E espero, sinceramente, que o povo de Canudos o preencha, gerando atividades culturais na cidade, sem ficar na dependência apenas do que vem de fora. Claro que pra isso é necessário também que haja investimento. A seca na cidade não é só geográfica, é também cultural. E também aí deve haver irrigação. E também aí as sementes plantadas devem ser regadas para não secarem.
Outra impressão ruim que tive foi o lixo espalhado pela cidade. Na peça, Zé Celso incluiu uma cena para conscientizar as pessoas sobre o recolhimento do lixo plástico. Mas aí eu fiquei pensando, não basta a consciência das pessoas, se não se tem uma política pública de recolhimento do lixo. E ao que parece, não há. Então o lixo fica espalhado pela terra seca do sertão sem se degradar, agravando a aridez da paisagem.
A cidade tem algumas lan houses, onde se acessa a internet. Mas não há sinal para telefone celular. O transporte, na cidade, se faz muito de moto táxi. A música que mais se ouve é o "arrocha". O CD de um grupo chamado Bonde do Maluco é o que mais toca nos bares. Até decoramos trecho de uma música, que virou quase que música tema da nossa viagem ("Não vale mais chorar por ele, ele jamais te amou - jamais te amou").
Por fim, o povo que se escandalizava no primeiro dia da peça já nem mais ligou no último dia, ao amanhecer, quando um grupo tomava banho nu nas águas do açude. E foi um belo amanhecer, o último, com os raios de sol esparramados por todo o açude. Enfim, viemos embora. Canudos lá ficou, com seu vazio a ser preenchido. E nós, que lá estivemos, como eles, que lá estão, e todo o povo brasileiro, que faz parte dessa história, devemos à cidade a sua reconstrução, o seu "desmassacre", para usar o termo zécelsiano. É o que acho mais importante da montagem de "Os Sertões". Não é uma peça para se assistir. É uma peça para se atuar. Tanto dentro, como fora de cena. Atuar no sentido de agir, promover uma ação transformadora. "Atuar pra poder voar" (trecho de música da peça).

"Meu cavalo tá pesado
Meu cavalo quer voar
Meu cavalo tá pesado
Meu cavalo quer voar
Atuar, atuar, atuar pra poder voar
Atuar, atuar, atuar pra poder voar"

Canudos

Canudos foi uma experiência tão arrebatadora, tão intensa, tão fortemente presente ainda em mim, tão cravada na minha carne, tão profunda na minha alma, tão tão, que não consigo escrever. Não encontro palavras. Elas fogem. Restam as imagens. Tão fortes. Os sons, os cheiros, o ar seco, as nuvens de terra no vento, os corpos nus nas águas do açude, o gigantesco abraço da ciranda na praça, meu pé pisado, meu pé cortado, meu pé descalço, os pés no chão, a alma nas alturas, planando na imensidão do céu do sertão... Quando vi “Os sertões” no Rio, eu achava que a tinha vivido, mas apenas tinha visto a peça. “Os sertões”, em Canudos, eu vivi. Lá, “Os sertões” estavam em tudo, e não só na cena. Não havia esse limiar. Quando eu saía da platéia e levava rajadas de vento e terra no rosto pra comprar uma Caribé (cachaça), eu estava ainda n“Os sertões”. Quando eu aguardava no estádio o início da peça contemplando o pôr do sol, “Os sertões” já estavam lá. Havia “Os sertões” em todo o lugar. Era um continuum. Sem início e fim. Um eterno desenrolar... E se me virem por aí, não se enganem, eu ainda estou lá!

14.11.07

RUMO A CANUDOS!!!...

Teatro Oficina encena OS SERTÕES em Canudos

o navio que leva a expedição de OS SERTÕES pelo mundo atraca na cidade de Canudos, com apresentações entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro, sempre às 17h30, no Estádio Municipal. E o diretor José Celso Martinez Côrrea faz o chamamento geral:

IÓ!

'POETAS, MÚSICOS, ATORES
GENTE DE TODAS AS CORES
FAÇAM ESSE FAVOR PRA MIM
QUEM SOUBER CANTAR QUE CANTE
QUEM SOUBER TOCAR QUE TOQUE
FLAUTA TAMBOR OU CLARIM
QUEM SOUBER APITAR, APITE
QUEM SOUBER GRITAR QUE GRITE
MAS FAÇA ESSE MUNDO ACORDAR?'

PRA PARAR DE MASSACRAR
CANUDOS, 3 VEZES
MASSACRADO
É NOSSO MASSACRE,
DESMASSACRADO QUE
QUER VIRAR POMAR

MARIA PADILHA, ANGELINA JOLIE
REGINA CASÉ, SUPLICY
A PRÁ LA DE PRIMEIRA DAMA DA BAHIA
FÁTIMA DE MENDONÇA, TÃO BEM MARIA
JÁ ESTÃO XAMANDO PRA ESSE DIA

'OS SERTÕES'
ENCENADO PELA ASSOCIAÇÃO TEATRO OFICINA UZYNA UZONA
SERÁ APRESENTADO NA ATUAL CIDADE DE CANUDOS
EM SUAS 5 PARTES
DE 28 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO
DATA COMEMORATIVA DOS 105 ANOS
DA PUBLICAÇÃO DA OBRA PRIMA DE EUCLYDES DA CUNHA,
COMO RITO DE INÍCIO DA REPARAÇÃO NACIONAL
E INTERNACIONAL
AOS MASSACRES SUCESSIVOS
DA CIDADE DE CANUDOS

ESTE RITO
COMO OS ARCAICOS RITOS AGRÁRIOS DIONISÍACOS
SERÁ FEITO PRA TRAZER FERTILIDADE E FARTURA
NA RECONSTRUÇÃO DA ATUAL CANUDOS
EM RITMO METEÓRICO,
COMO O DA 1ª CANUDOS QUE CONSTRUÍA
13 CASAS POR DIA
RITMO AINDA NÃO CONQUISTADO
COM AMEAÇAS ATÉ DE CENSURA,
POR CAUSA DE 'PINGOLINS DUROS QUE A PEÇA APRESENTA'
RITMO QUE AINDA NÃO CONQUISTAMOS
NA REPARAÇÃO DE TODOS
DOS NOSSOS PRÓPRIOS MASSACRES
E OS DE NOSSAS CULTURAS EM ASCENÇÃO,
QUE NÃO QUEREM DEIXAR-SE CAPTURAR
PELO MERCENARISMO
NEM PELO SEU IRMÃO POLITICAMENTE CORRETO: POPULISMO
PURITANO DE ALGUMAS ONGS

CANUDOS TEM INSPIRADO INÚMEROS ARTISTAS BRASILEIROS
E DO MUNDO NA MÚSICA, NO CINEMA,
NA LITERATURA, NA TV...
(por ex. o peruano Vargas Llosa 'Guerra do Fim do Mundo', o húngaro Sandor Marai 'Veredicto em Canudos')
MUITOS ARTISTAS, ALÉM DOS ATUADORES DO OFICINA,
ESTARÃO PRESENTES
COMO REGINA CASÉ.

MUITOS CRIARÃO INICIATIVAS DE INVESTIMENTOS
COMO FORMA DE GRATIDÃO
E AMPLIAÇÃO DA IMENSA DÁDIVA DO LUGAR
A CULTURA BRASILEIRA

O GOVERNO BRASILEIRO
QUE CONVOCOU TROPAS DO RIO GRANDE DO SUL AO AMAZONAS,
PARA A 4ª EXPEDIÇAO
QUE MASSACROU CANUDOS,
É DEVEDOR DESTA TEIMOSA CIDADE,
HOJE NA SUA 3ª TENTATIVA DE RECONSTRUÇÃO,
DESDE 1986,
ASSIM COMO TODOS NÓS BRASILEIROS.

ESTAMOS ATRAVÉS DESTES EMAILS
PRETENDENDO PRINCIPALMENTE EXCITAR:

-NÓS MESMOS, NOSSOS HUMANOS PODERES

-O PODER EXECUTIVO

-O CONGRESSO

-E O JUDICIÁRIO

PARA QUE FAÇAM CONSTAR
NO ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO,
EM CARÁTER DE URGÊNCIA
VERBAS PARA AS OBRAS DE UTILIZAÇÃO DAS ÁGUAS DO AÇUDE DE COCOROBÓ, IRRIGANDO E FAZENDO DE CANUDOS UM VASTÍSSIMO POMAR, PLENO DE CACHOS DE UVA, FRUTOS TÓTENS DE DIONÍSIOS, PARA EXPORTAÇÃO.

EXCITAR

-O FOME ZERO
PARA IMPLANTAR UM SISTEMA CENTRAL DE TRIAGEM DO LIXO, GERANDO DESENVOLVIMENTO, EMPREGO, PARA A POPULAÇÃO.

-A FEBRABAN
QUE TEM INVESTIDO PARTE DOS LUCROS BANCÁRIOS, OS MAIORES DO PAÍS, EM PROJETOS SOCIAIS, PRINCIPALMENTE NO NORDESTE. CABE ENTRADA ESPETACULAR NESTE RITO SIMBOLIZANDO TODAS EMPRESAS DE CAPITAL PRIVADO.

-A VALE DO RIO DOCE
PROTAGONIZANDO ESTA AÇÃO, INVESTINDO NO RESGATE HISTÓRICO E CULTURAL DA CIDADE E DA PRESENÇA DA VALE NA IMENSA NAÇÃO SERTÃO CONSTITUÍDA POR ESTADOS DO NORDESTE, NA SUA CAPITAL HISTÓRICA: CANUDOS.

E A CURTO PRAZO
O MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, ASSOCIADO AO MINISTÉRIO DA CULTURA EM SEU PROGRAMA PARA 'BANDALARGAR' CIDADES ISOLADAS COMO CANUDOS. AS TELEFÔNICAS, A RADIOBRAS PARA QUE LÁ INSTALEM CONDIÇÕES DE INTEGRAÇÃO DA CIDADE NA REDE GLOBAL DE COMUNICAÇÕES.
TROCANDO EM MIÚDOS: CELULAR, INTERNET RÁPIDA, DANDO ASSIM CONDIÇÕES DE TRANSMISSÃO DESTE RITO PARA O MUNDO.

UM AGRADECIMENTO ESPECIAL À PETROBRAS, A MAIOR INVESTIDORA EM ENERGIA RENOVÁVEL CULTURAL DO BRASIL QUE CRIOU AS CONDIÇÕES PARA QUE O ESPETÁCULO IMPOSSÍVEL DE 'OS SERTÕES' DA ASSOCIAÇÃO TEATRO OFICINA UZYNA UZONA
SE TORNASSE POSSÍVEL.

MOBILIZEMO-NOS
PARA ESTARMOS MUITOS,
JUNTOS NESTES DIAS,
EM CANUDOS,
E JUNTOS
COMEÇARMOS A CULTIVAR
O REERGUIMENTO DESTA PAISAGEM CULTURAL,
TALVEZ A MAIS SIGNIFICATIVA E FORTE DO BRASIL

VAMOS BATER OS TAMBORES

'O Amor é livre e grande demais,
para ser julgado por nós,
pobres mortais' - Antonio Conselheiro em Os Sertões

As apresentações de OS SERTÕES têm patrocínio da Petrobrás, que também mantém a Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona.

SERVIÇO

'OS SERTÕES ? MARATONA CANUDOS'
Texto: baseado na obra de Euclides da Cunha
Direção: José Celso Martinez Corrêa
Encenação: Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona
Datas: de 28 de novembro a 02 de dezembro
Horários: de 4ª a domingo, às 17h30 - sempre ao pôr-do-sol do sertão
Local: Estádio Municipal de Canudos.

INFORMAÇÕES SOBRE COMO CHEGAR EM CANUDOS, HOSPEDAGEM E ALIMENTAÇÃO ESTÃO NO SITE www.teatroficina.com.br

3.11.07

RECITAL HOMENAGEIA MAIAKÓVSKI, POETA DA REVOLUÇÃO

"Liubliú" (Amo), poema anel de Maiakóvski dedicado a Lília Brik
- versão tipográfica de El Lissitski (1923)

Dando continuidade às atividades em comemoração aos 90 anos da Revolução Russa, iniciadas em outubro com uma mostra de cinema soviético (vide abaixo a programação), o Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da UFF realizará o Recital de Poesia Revolucionária em Homenagem a Maiakóvski, dia 8/11 (5a feira), a partir das 19h, em sua Galeria de Artes, com entrada livre. Às 17h30, a movimentação começa do outro lado da Baía de Guanabara, na Praça XV, onde os poetas do Rio se concentrarão para pegar a Barca que os conduzirá a Niterói numa travessia poética.

O evento contará com a presença de diversos poetas que movimentam o cenário da poesia carioca, em eventos como CEP 20.000 (Chacal), Poesia Voa (Tavinho Paes), Conversa Portátil (Pedro Lage), Filé de Peixe (Alex Topini e Felipe Cataldo), Ratos di Versos (Juliana Hollanda, Daniel Soares, Dudu Pererê, Dalberto Gomes, Marcelo Nietzsche e Carluxo), e do grupo Os Sete Novos (Augusto de Guimaraens Cavalcanti). Terá ainda a participação da poeta e jornalista Cristina Terra, fundadora do Movimento Pró-Maiakóvski e propagadora do trabalho do poeta. Além dos músicos Cláudio Salles e Guto Beluco. As projeções de imagens da época, filmes e cartazes ficarão por conta de Maurição Antoun. E regendo essa grande orquestra poético-sonora-visual, a poeta Beatriz Tavares, curadora da Galeria. Os poetas falarão poemas de Maiakóvski, poemas revolucionários de outros autores e de própria autoria.

Vladimir Maiakóvski (1893-1930), chamado “o poeta da revolução”, esteve engajado na construção do processo revolucionário da nascente União Soviética, e também na revolução de sua própria arte, se configurando não só num dos maiores poetas russos, como também de todo o mundo. A revolução, em Maiakóvski, está presente na forma e no conteúdo, em sua obra e em sua vida. Mesmo a tendo interrompido com um tiro no peito, seus poemas o ressuscitam ainda hoje, falando, inclusive, diretamente aos “camaradas futuros”, como em um verso do poema “A plenos pulmões”. E agora, os “camaradas futuros”, poetas de hoje, darão a seus versos fôlego novo neste recital.

A Galeria de Artes do ICHF fica no Campus do Gragoatá da UFF, Bloco O, térreo. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail galeriadeartes@vm.uff.br ou na página www.galeriadeartesdoichf.blogspot.com .

CINECLUBE GALERIA DE CINEMA
MOSTRA DE CINEMA SOVIÉTICO

PROGRAMAÇÃO DE NOVEMBRO:

Dia 07/11, 13h
OUTUBRO (1928), de Sergei Eisenstein

Dia 07/11, 20h
RÉQUIEM A LENIN (1934), de Dziga Vertov

Dia 14/11, 13 e 19h
A GREVE (1924), de Sergei Eisenstein

Dia 21/11, 13 e 19h
O ENCOURAÇADO POTEMKIN (1925), de Sergei Eisenstein

Dia 28/11, 13h
TEMPESTADE SOBRE A ÁSIA (1928), de Vsevolod Pudovkin

Dia 28/11, 19h
TERRA (1930), de Alexander Dovzhenko

Ps. Por problemas técnicos os filmes "Tempestade sobre a Ásia" e "Terra" não foram exibidos na programação de outubro, por isso alteramos a programação do dia 28/11 para poder exibi-los.

1.11.07

Uma questão: Maiakóvski e a Revolução

Sobre o evento acima, meu tio levantou uma questão, que outros talvez levantarão, então achei uma boa compartilhar a minha resposta. Ei-las:

Questão:
Só espero que não esqueçam de dizer a decepção de Maiakovsk e quem o matou. A poesia dele e ele são maiores do que o gancho da homenagem.

Resposta:
Sem dúvida. A minha dúvida é: e quem NOS mata?
Os primeiros anos da revolução foram revolucionários. Não se esperava que a URSS tomasse o rumo que tomou. O que o evento quer resgatar é esse momento inicial, e o que ele tem de contribuição para nós, hoje. É fácil chutar cachorro morto. A questão é o que, da revolução, ainda vive. Maiakóvski vive! Assim como Eisenstein, Vertov... E o que nós, que estamos vivos, faremos hoje? Há quem ainda os/nos mate, a cada dia um pouco... A poesia de Maiakóvski é algo que nos ressuscita! os revolucionários... O próprio Maiakóvski já sabia, "morrer, nessa vida, não é difícil / difícil é a vida e seu ofício". Ele calou as dificuldades com um tiro no peito. Hoje, nós simplesmente nos calamos. Morremos em vida. Cometemos vários suicídios cotidianos... Até quando? Falar da revolução, da verdadeira revolução, do que poderia ter sido e não foi, de que poderá ser um dia..., anima nossas vidas muito mais que lamentar nossos fracassos! Sem esquecê-los, claro, que a experiência do que deu errado pode nos orientar a não cometer os mesmos erros. Mas o momento, pra mim, é de vislumbrar uma nova vida, e não chorar irremediavelmente as nossas mortes...

28.10.07

"Não está vendo? Pescar nos penhascos. É o meu destino!"
(O Rei da Vela, Oswald de Andrade)

27.10.07

estou cheia
de gente

vazia

26.10.07

ser mulher
é antes

pirar
que
parir

23.10.07

Os Sertões, a batalha final

para Mariano Mattos Martins,
o corifeu (e autor do último verso)

a noite se descortina
última batalha em cena
o ato final se anuncia
e os olhos pedem sangue
numa guerra de cem anos
suas águas límpidas
escorrem dos aplausos
as palmas erguem taças
os dorsos vertem danças
todos os deuses são baco
cada corpo, um verso
a ciranda, epopéia costurada
no tear da madrugada
e assim não se faz a trégua
e assim se prolonga o ato
e da vertigem
se chega à queda
o trágico coro do fim do fim
cala com ar nos pulmões
suspiro do corifeu, alívio do coro
o canto tomado de fôlego novo
até o fechar dos portões trás de si
de repente
contornos da noite nos olhos
face à calma clara do dia
mas de repente
há coro no cantar dos galos
colheres, xícaras, bocejos, ah...
há uma orquestra
nas cristas do que desperta
ainda contida, mas viva
mais viva,
gira a ciranda nas bordas do sol
cavalos alados crinas ao vento
a vigília onírica dos incontidos
perfura névoas de claridade
pra lavar de música
a face seca do asfalto
e enfim, a fina chuva os leva:
“bárbaros amanhecidos”

Poemas para se ler a qualquer hora (no meu caso, foi à noite)

Publico abaixo a mensagem que eu mandei pro Augusto (de Guimaraens Cavalcanti, d'Os Sete Novos), comentários sobre o livro dele, "Poemas para se ler ao meio-dia", que ele me deu há meses atrás e só agora eu devorei inteiro:

Augusto, vc é um excelente poeta! Poeta de imagens fortes e belas, mesmo as feias e trágicas, belíssimas em seu horror ou tragicidade, "como dois pássaros se chocando em pleno vôo"!... Te digo isso agora porque só agora li teu livro inteiro, do início ao fim. Até então só tinha lido alguns poemas selecionados ao acaso... Uns de que tinha gostado muito, como o Capa de abismo, que eu já tinha até te falado. Mas mergulhar no livro inteiro de uma só vez é uma experiência bem mais intensa! Seus poemas são como cinema. Cinema experimental bom. Não historinhas. Mas imagens. Um mosaico de sensações. Pra vc ter uma idéia, li marcando as páginas dos poemas que mais gostei, e tenho quase metade do livro marcado! Várias dobrinhas nos topos das páginas... E eu que só ia ler o que vc fez pro Zé Celso, pensando em pôr no meu blogue, tô agora extasiada... pensando em pôr vários no blogue, mas acho que só vou publicar esta carta. Aí quem quiser pega o livro e lê inteiro, que é mais gostoso. E também o belíssimo "tempo" que vc fez parar no teu blogue, suspenso. Queria te dar um abraço agora, mas daqui não te alcanço. Então dorme, ou acorda, ou receba um outro dia, quando abrir esta mensagem, os meus beijos virtuais,
Bia

19.10.07

IÓ! José Celso Martinez Corrêa


vai, anjo profano, sagra de amor os que sangram
singra os mares em que nos derramamos
pesca êxtase
pesca palmas
pesca lá do fundo nossas almas afogadas
dos que penam,
pega as penas,
tece asas
e as lança
e num relance
majestosas aves
a flanar nos ares
colchas de nuvens retalhos se amalg-
amando
vem, orgíaco combatente das armas do fogo
contra a treva
refletores
de entraves,
gols
estádio em ola
atacantes do desataque
exército do desmassacre
a sacar baionetas de flores
bandeirolas multicolores
pra fazer do en noir
en rose
rosa que no céu floresce sem ser bomba
a fauna a flora de desejos
converge verte em todo o canto
coro de tantas cores
vem, louco lúcido, com seu manto lúdico nos cobrir
para nos descobrir
brasis
que somos cada
e somos todo
tin-tin, a nós, ao desatar
vai, assustadora fera, indomável, inominável
me deixa só
com estas asas
com este manto
estas pegadas

que decalco

meu mapa

15.10.07

DISCURSO DO ZÉ CELSO

IÓ! Brasileiros

Nós brasileiros, do Rio Grande do Sul ao Amazonas, em 5 de outubro de l897,
nós, representados então, por 6.000 militares, massacramos em nome da Liberdade, Igualdade, e Fraternidade, a segunda maior cidade da Bahia ,depois de Salvador.

25.000 habitantes, edificada em Mutirões, de doze casas erguidas por dia, organizada em Conselhos, exportadora de Couro de Bode pra Europa.

Esta cidade possuía gente de crença enorme em si mesmo, em seu poder, 'uma crença forte e consoladora' como escreveu Euclides da Cunha.

Tudo isso foi Massacrado.

Ninguém da cidade de Canudos, se entregou. 'Caso único na história'.

Nossos representantes fardados, jogaram querosene e queimaram tudo e ainda,com gente viva lá dentro.

Nós, Recém Nascidos Republicanos, tornamos cinzas,
apocalipse de yesterday como os de now,
a rebelião de Canudos,
a última da República Velha,
a mais perigosa,
a mais rica,
a mais audaciosa,
a mais empesteadoramente bela!

Sobre esse sangue degolado, derramado no Palco da Luta, foi erguido o fundamento, a legitimidade a 'Ordem e o Progresso' da nossa atual Velhíssima República.

Depois do Apocalipse do Fogo, pouco a pouco, os sobreviventes da guerra e outros doidos de deus, retornaram ao lugar Tabu e construíram uma segunda Canudos.

A ditadura militar,
trouxe depois do Apocalypse do Fogo, o Dilúvio das Águas.

A Cidade renascida foi inundada,
A estátua árvore de Conselheiro, de Mário Cravo,
onde o povo acendia velas ao Bom Jesus, foi retirada da praça de Salvador Bahía, depois do golpe de 1964.

Canudos foi reconstruída pela terceira vez.
Teve seu apogeu no centenário de Conselheiro: quando foi asfaltada a estrada que levava ao Caminho da Jerusalém do Sertão,

Mas o asfalto da estrada virou pedra, não foi conservado.

A 3ª Cidade de Canudos, está agora, isolada de nós, e do Globo.
E não se conforma com isso, como Dona Joselina da Pousada Recanto Pôr do Sol.
Isailton, o guia memorialista do Museu de Canudos, guardião do Morro da Favela, tombado aos cuidados da Universidade da Bahia.

Está hoje, quase exatamente, como Euclides descrevia o lugar de antes da Guerra : 'a Terra Ignota'

A estréia mundial da mídia Telégrafo foi na Guerra do Fim do Mundo de Canudos, que tornou-se lugar conhecido em todo Planeta . Todos grandes artistas brasileiros Glauber, Oswald, Gilberto Freyre, Nelson Rodrigues, Guimarães Rosa, e muitos e muitos, ligaram-se na anunciação do povo brasileiro de ' Os Sertões'.

É o grão da nossa revolução cultural, a rocha viva regenerando, o ser-estar brasileiro,
sempre.

Hoje o Sertão virou Mar, mas de lixo plástico. Canudos tem agora 11.0000 habitantes menos que em l897.

Mas há lá, um povo novo, querendo crescer, com Lan House instalada há pouco tempo na rua principal, com a gestão do Prefeito Adailton, que faz aniversário no dia seguinte a Cosme Damião, um Historiador, uma criança muito apaixonada, por fazer tudo, por sua região, pela terceira vez.

Esta na hora de que todos nós brasileiros fazermos a redenção, a justa história, o pedido de perdão por estes Massacres, onde se inclui principalmente , o da nossa negligência de mais de 100 anos, por não ter feito nada pelo lugar, quando tomamos consciência
que tínhamos destruído a nós mesmos, a cidade deste povo irmão, deste sertanejo, antes de tudo um forte.

O Livro 'Os Sertões', foi o primeiro ataque ao o escândalo de dois Brasis desiguais,
com a Repressão do próprio Estado Brasileiro, massacrando, degolando, seu próprio povo. Euclides foi inspirado por todas as línguas de fogo do Espírito Santo. Escrito em todas as línguas, linguagens, ciências, poesias, começou a interpretar, através do Crime praticado pela nacionalidade, o próprio Brasil, para nós mesmos brasileiros e para todo mundo.

'Os Sertões' é o livro mais traduzido do Brasil. Da China, que o define shakesperianamente como 'Poema Ilimitado'
Á Alemanha, onde é lido em Papel Bíblia , numa edição da SurkampfVerlag, a maior editora alemã, como grande poeta da Guerra Atual Mundial do Terror de hoje ainda.
8 de outurbo de 2007, 40 anos do assassinato do Che na Bolívia pré-Guarani.

'Fanáticos' de todas as universidades do mundo, vem conhecer a cidade do DNA,
inspirador do conceito de 'crime das nacionalidades' criado pelo brasileiro Euclides da Cunha em 2 de 12 de 1902 (data do lançamento do livro) no Rio de Janeiro; atraídos pelo sertanejo, antes de tudo, esse forte; pela estruturação ao vivo, política da cidade em forma de Muritão e Conselhos.

Desde o primeiro Massacre, nenhuma atitude concreta por nós brasileiros, foi tomada .

As cidades do mundo que passaram pelo que passou Canudos, foram reerguidas, Hiroshima, Berlim, Leningrado, Bagé, e tornaram-se pontos irradiadores de vida , Corações-Chacras do Amor Des-Massacrante.

Daqui do Rio de Janeiro , de onde o Brasil inteiro era convocado para Massacrar Canudos, escrevo, preparando-me para temporada em Quixeramobim, cidade Natal de Antônio Maciel, o Conselheiro. Esta cidade está em plena Primavera. Há movimento de seus jovens que nos convidaram e criaram condições juntamente com o Prefeito Edmilson Junior, que bancou 50% do alto Custo das 5 partes de ' Os Sertões' para estrearmos lá, no dia 14 de novembro próximo. A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão de Auto Filho, apoiou fortemente, e criou uma logística para que ônibus de todo Estado acorram para o coração do Ceará como é chamado Quixeramobim, e montem acampamentos para estar no evento. Um pra lá de Woodstock dos tempos atuais.

De lá seguimos para Canudos, para fazer 'Os Sertões' no Belíssimo Estádio de Futebol, de Canudos. Propusemos o apoio pessoalmente ao Governador da Bahia Jacques Wagner , e por telefone para a Pra lá de Primeira Dama Fátima, que tem se destacado como revolucionária incansável do crescimento da cultura na Bahia.

O Secretário da Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, diretor do grupo de Teatro do Oludum, é um dos entusiastas desta ação.

Mas, não basta fazermos lá por cinco dias nosso espetáculo . Baixa a Magia do Teatro, a Internet Transmite,
o mundo comove-se ou não, e nós voltamos a São Paulo e Canudos retorna a Terra Ignota. Não, isso não vai acontecer. É hora do Desmassacre!

Pela luta contra o crime das nacionalidades, a favor do crescimento do Sertão Brasileiro , quero que os anos e anos de trabalho que nós da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona, tivemos, para fazer a incorporação de Theatro do livro de Euclides,
como um real Desmassacre, inspirem como estão inspirando a mim, TeAtos: atos, de investimentos maciço na irrigação das águas paradas do açude de Cocorobó,
que serviu até agora, somente para afogar a Memória de Canudos.

Que se abram artérias e mais artérias da água no corpo da Terra, e faça da cidade um Vastíssimo Pomar Sem Donos.

Que
Luciano Coutinho na Direção do BNDES,
Gedel Vieira Lima ministro de integração nacional, do Ministério da Integração Nacional, o Ministro de Assuntos Estratégicos recém nomeado filósofo jurista Mangabeira Unger,

Marta Suplicy, Ministra do Turismo,
Gilberto Gil, Ministro da Cultura,
promovam um movimento de investimento real
naquele belo e riquíssimo losango da bandeira brasileira,
Canudos, a Jerusalém dos Sertões, capital de todos os imensos quintais dos Estados do Nordeste que para lá dão.

O desenvolvimento econômico da região vai propiciar a epifania da Caatinga sob Guarda da Universidade da Bahia: o lendário Morro da Favela, assim chamado pela planta que é chapa fervente envenenada se a invadimos, mas que a carícia dos ventos das madrugadas, provoca orvalho do sons das lágrimas de Paulinho da Viola.

De lá veio a primeira Favela do Brasil ? a da Providência, onde, pra não morrer, foram morar os soldados do Exército Brasileiro contra Canudos, que não tiveram seu soldo pago pelo Estado, que faliu com a Guerra .

Canudos acesa, acende, o Monte Santo, o Razo da Catarina, a Pedra do Reino, as Cavernas de São Bom Jesus da Lapa e todas os sítios Iluminados do sentimento órfico brasileiro pagão chamado de 'fanatismo' pelos positivistas.

Para o Ministério das Relações Exteriores, de Celso Amorim, para o Iphan e a Monumenta de Fernando de Almeida fica a missão de liderar o movimento pela transformação de Canudos em Patrimônio Mundial da Unesco.

Neste lugar, poderemos os que estivermos vivos, brevemente proclamar a Nova Abolição do Cativeiro: O Fim da Guerra do Narcotráfico com a Descriminalizacão da Droga no Brasil e sua passagem pro Ministério da Saúde e sem deixar a Souza Cruz tirar o comércio das mãos dos que por ele lutaram, estes anos obscuros e sangrentos.

Presidente Lula, seu jogo de cintura, sua política de Caetê Antropófago, tem de estar na Pagelança deste movimento.

Esclarecimentos: Luis Paulo Neiva,da Universidade do Estado da Bahia (popularmente UNEB).a frente de uma equipe de cientistas, tem os estudos feitos para fazer realmente o Sertão virar PoMar, já. Informa:

1-No Parque Estadual de Canudos, que também implantamos e administrado pela UNEB, temos aí o bioma caatinga precisando ser preservado e repovoado (algumas plantas estão em processo de extinção). É Uma zona de combate da Guerra, com 1.321 hectares,, está com seus sítios históricos e arqueológicos demarcados (Alto/Morro da Favela; Vale da Morte, Hospital de Sangue da primeira e segunda Colunas; Fazenda Velha, Alto do Mário, Degola, etc).

2-O Açude Cocorobó, foi iniciado na década de 40 e inaugurado em 1987. Tem uma capacidade de acumulação de água de 293 milhões de metros cúbicos de agua, poderia abastecer mais de 2o municípios da região - hoje abastece Ós, a cidade e a zona rural é abastecida por carro pipa (seguindo o clientelismo etc). Produz poucos peixes e poderia produzir 800 a 1 mil toneladas de peixes por ano, ou seja 3 ton por dia - o que dinamizaria a região.O Perímetro irrigado Vaza Barris (PIVB) poderia irrigar 5 mil hectares, hoje irriga menos de 1 mil utilizando culturas muito demandadoras. Hoje, há DESPERDÍCIO E O SISTEMA DE IRRIGAÇÃO É INADEQUADO. Existem áreas já salinizadas etc. etc. A minha pesquisa anterior constatou que os agricultores auferiam uma renda inferior a Hum salário mínimo, enquanto agricultores alí perto, em Juazeiro estão se articulando com mercados exigentes da Europa e EUA, etc, etc.
Há uma réplica da Estátua do Conselheiro, de Mário Cravo, que está no Memorial Antonio Conselheiro da Uneb em Canudos. Ali também tem um museu, uma pequena biblioteca, e um jardim com plantas citadas em Os Sertões - esse jardim tem o nome Praça João de Regis (filho de Conselheirista. Falecido recentemente e um dos melhores depoentes sobre a Guerra).

Sem perda de tempo, aproveitemos este momento excepcional do Brasil

José Celso Martinez Corrêa
M E R D A

11.10.07

Um certo sertão

p/ Zé Celso Martinez Corrêa e atores do Oficina

O enorme caralho que solta fumaça branca quando goza, paus e bucetas quase sempre à mostra, punheta a jorrar esperma, siriricas mil, oral e coisa e tal. Não é só isso que define o que vi, como quereriam os (falsos)moralistas que o condenam. Zé Celso em ação. Ritual. Multidão. Sentir-se parte. Sentir-se todo. Sentir o corpo do ator. Sentir a pulsação do público. Sentir fome, sede, vontade de ir ao banheiro e segurar até a bexiga quase estourar. Ficar seis, sete horas lá. As vinte e seis direto se duvidar! A alma nua, com a roupa do corpo ou não, entregue em oferenda para a multidão. Sentir no rosto a chuva que molha o chão seco do sertão. Mergulhar nas ondas do mar. Ser rio ou correnteza. Ser vereda. Pássaro ou espinho. Sentir na pele o calor das queimadas. Ver o homem que fode a terra em que se funda. Zé Celso conclamar a reconstrução de Canudos, nos chamando para ir lá. Querer ir lá. 29 de novembro, ele disse, a 2 de dezembro. Será que cabe na agenda? Fui. Embarquei nessa viagem aos sertões de Euclides da Cunha, levada pelo Zé da Oficina. Caí no meio de um campo de batalha. Estrondos, explosões, brigada anti-incêndio em alerta. Sangue, mutilações. Caem uma, duas, três expedições. Canudos resiste. Até o fim. Até seu último combatente cair morto, na quarta. Cinzas. Sentir a morte do sertanejo. O abandono dos soldados mutilados. Sentir também tesão. Mais que isso, sentir paixão! Sentir no olhar de cada ator toda a paixão que move o grupo e se apaixonar, querer ser mais uma roda a girar nessa engrenagem. Viver o teatro na carne. Fazer da carne viva teatro. Antropofagiar-se. Se entregar. Sem medos ou máscaras. Cair na dança. Quadrilha. Ciranda. Samba. Funk. Ser um movimento nos movimentos. Sentir o vento. Ou o sol rachar. Marchar; Marchar; Marchar; Murchar. Evaporar-se na seca. Delirar. Ouvir o canto das bacantes ou de Iemanjá. Se deixar levar. O amor por princípio. O amor!... O ritual indescritível dos beijos e afagos, a coisa mais linda! Apoteótico. Hipnótico. Transcendental. Como definir o que vi, vivi? “Os sertões” não é uma peça de teatro. É uma ação teatral. É um acontecimento. Ou você vive. Ou você não viu. “Os sertões” se prolonga na sua vida muito mais que as tantas horas que o limitam no espaço. Vou-me embora pra Canudos! Simbora, Zé! Chegou a hora do desmassacre! A hora do amor chegou! E antes que eu me esqueça, MERDA!!!

6.10.07

os bjs sem lábios

teu olhar vidrado na tela
petrifica
como endurece teu corpo
que não abraça, digita
como seca na boca a saliva
de um beijo que se abrevia
como se encolhe você
espremido entre duas letrinhas
que eu não consigo te ver
mas eu sei que a tua solidão
não é senão a minha
cada lágrima que brota no canto de um olho teu
vem desaguar pelo meu rosto, me molha as teclas
sou essas teclas, mas sou as mãos
mãos que suam, vazias
como sou braços que carecem de outros braços
sou fios, tomadas, sou cabelos
cabelos onde enrosco meus dedos quando me deito
sou umbigo, ventre, cólicas
sou fome, joelhos, cheiros
sou tudo isso mais a tela
sou sem a tela, sem espelhos
sou tatos no escuro, tropeços
basta um clique e desapareço
se quiser me veja a foto, o perfil, o meu e-mail
me escreva poemas com os nós do corpo e envie
mas engraçado,
envie em francês é desejo, vontade
nós podem ser duas pessoas, podemos
com os nossos corpos escrever poemas

5.10.07

COME ANANÁS

Come ananás, mastiga perdiz.
Teu dia está prestes, burguês.

Maiakóvski, 1917
(Tradução de Augusto de Campos)

Alguns cartazes de Maiakóvski e Rodchenko!!!

(Rodchenko, 1925 - O Encouraçado Potemkin)

(Rodchenko, 1924 - O cinema-olho)


(Maiakóvski, 1921 - World stands on Vulcan... (The Window of glavpolitsovet))


(Maiakóvski, 1920 - Each absence is joy for the enemy...)


27.9.07

ICHF CELEBRA 90 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA


(Cena de "Outubro", de Eisenstein)



Os 90 anos da Revolução Russa estarão em foco durante os próximos meses no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da UFF. Além do ciclo de debates que está sendo programado para a primeira semana de novembro, dentre outras atividades, começa, já na próxima semana, uma mostra de cinema soviético, que integra a programação do Cineclube Galeria de Cinema, com exibições às quartas-feiras, às 13 e às 19h, na Galeria de Artes do ICHF (Campus do Gragoatá, Bloco O, térreo). A entrada é franca.
Na abertura, dia 3/10, os professores José Carlos Monteiro (Cinema) e Luiz Alberto Sanz (Comunicação) contextualizarão os filmes em debates sobre o cinema soviético, após as sessões de “Um homem com uma câmera”, de Dziga Vertov, às 13 e às 19h, respectivamente.
Serão exibidos alguns dos principais filmes de cineastas que revolucionaram a linguagem do cinema tanto do ponto de vista técnico como conceitual, seja através da câmera de Vertov ou da montagem de Eisenstein, construindo um cinema verdadeiramente revolucionário na forma e no conteúdo. Clássicos soviéticos como “A mãe”, de Pudovkin, “Terra”, de Dovzhenko, e “O Encouraçado Potemkin”, de Eisenstein, compõem a mostra.
“Outubro”, de Eisenstein, realizado em comemoração aos 10 anos da Revolução, volta à tela no dia em que se completam 90, dia 7/11, às 13h. No mesmo dia, às 20h, será exibido “Réquiem a Lênin”, de Vertov, uma homenagem ao líder soviético realizada 10 anos após a sua morte.
A mostra se encerra no dia 28/11 com mais um debate, após a exibição de “Traição na campina”, filme de Eisenstein reconstituído a partir de stills, imagens e frames que sobreviveram, já que as filmagens haviam sido interrompidas e quase todo o material filmado se perdeu.
Mais informações na página www.galeriadeartesdoichf.blogspot.com ou pelo e-mail galeriadeartes@vm.uff.br.
Segue abaixo a programação completa da mostra:

Dia 3/10, 13 e 19h
UM HOMEM COM UMA CÂMERA (1929), de Dziga Vertov
Debate após o filme:
13h: José Carlos Monteiro (Departamento de Cinema/UFF)
19h: Luiz Alberto Sanz (Departamento de Comunicação/UFF)

Dia 10/10, 13 e 19h
CÂMERA-OLHO (1924), de Dziga Vertov

Dia 17/10, 13 e 19h
A MÃE (1924), de Vsevolod Pudovkin

Dia 24/10, 13 e 19h
TEMPESTADE SOBRE A ÁSIA (1928), de Vsevolod Pudovkin

Dia 31/10, 13 e 19h
TERRA (1930), de Alexander Dovzhenko

Dia 07/11, 13h
OUTUBRO (1928), de Sergei Eisenstein

Dia 07/11, 20h
RÉQUIEM A LENIN (1934), de Dziga Vertov

Dia 14/11, 13 e 19h
A GREVE (1924), de Sergei Eisenstein

Dia 21/11, 13 e 19h
O ENCOURAÇADO POTEMKIN (1925), de Sergei Eisenstein

Dia 28/11, 13 e 19h
TRAIÇÃO NA CAMPINA (1935-37), de Sergei Eisenstein
Debate após o filme.

17.9.07

+ da série poemas refeitos

quando te encaro olhos de precipício
você me diz pule
eu me dispo


-----------------------------------------------

meu útero abriga uma saudade
que vai crescendo com os meses
como um feto em gestação
q
ue nunca nasce

15.9.07

DESPERTA

parece tudo tão banal
todos com seus sorrisos de superfície
em rostos de expressão vazia
nenhuma dor comove
a própria dor só dói em quem dói
a morte é um número
ou um espetáculo brutal
quando há requintes de brutalidade
arrastando corpos pelas ruas do rio
há o choque, há o espanto,
alguém se comove, alguém se move
aí vem um, dois, três casos a mais
e as mortes por arrastamento tornam-se também banais
como as balas perdidas, batidas, as bombas,
ou a eterna espera nas filas dos hospitais
e se a morte não mais comove
o que dizer da vida?!
essa vida que só há
em oposição à morte
porque respira
fora isso,
há vermes já nos comendo os corpos
urubus a bailar sobre nossas cabeças
estamos fechados como um caixão
paralisados sob a terra de apatia que nos cobre
mas aqui há a televisão ligada
e mais alguma distração
há shows de rock sem nenhuma indignação
aqui tem uma placa que diz sorria
e você sorri
simplesmente sorri
como se só lhe restassem os ossos
e a mandíbula por si só saltasse
largo sorriso de sono eterno
eu digo desperta!
e eu mesma odeio despertadores
como odeio alarmes
e trancas
sirenes
grades, blindagens, câmeras e fogos de artifício
mas como despertar se ainda não dormi?
meus olhos ardem ardor da noite adentrando o dia
doem a luz do sol na retina
e os sons de buzina e as britadeiras
zumbidos demais nos meus ouvidos
o choro da criança, o grito, o apito do guarda
e ainda tem um mosquito pousando seu som quando me deito
que vem me dizer desaforos
desaforos, como fosse eu o inseto!
você aí nesse edredom macio
e lá fora se treme de frio
e me diz que a culpa é minha – minha?!
mas que fiz eu, meu deus, pra esfriar a noite de alguém?!
eu, que não sou ninguém?! que fiz eu? o que não fiz?
o que não fiz que não aqueceu um coração
o que não fiz pra amaciar as almas
o que não fiz por aquele corpo estirado no chão
se estava vivo ou morto, não sei, eu passo
vai ver era um bêbado e o que eu tenho com isso?
não posso ser eu a catar da rua os cacos que eu não quebrei
eu mesma estou quebrada e quem me cata?
eu estou caída e quem me eleva?
os outros passam
vai ver sou uma bêbada e o que eles têm com isso?
cada um com seus cacos e todos viram farelo na poeira das ruas
farelo na poeira das ruas, é o que somos, farelo
mas o farelo..., o farelo com o vento voa
até o farelo ganha os ares!
e nós permanecemos pés fincados no abismo
tudo pesa demais sobre nossa leveza
quando virá um vento nos levantar? quando?
quando nos ergueremos do sono eterno?
ou poderemos, enfim, pousar a cabeça no travesseiro
ouvir da noite um boa noite
e dormir?

14.9.07

Hoje saiu o resultado do CONCURSO DE CONTOS NELSON RODRIGUES & AS TRAGÉDIAS CARIOCAS HOJE. Fiquei entre os 20 classificados que ganharão livros do Nelson. Mas o que eu queria mesmo era ficar entre os 3 primeiros, pra usar o prêmio em dinheiro pra bancar meu livro... Agora ele vai ter que esperar mais um pouco. Ainda bem que tem esse blogue pros textos não mofarem nas gavetas... Vai abaixo o conto que inscrevi no concurso:

DORME QUE OS SONHOS VÊM

Rita está em casa cuidando de sua filha de 3 anos e preparando o jantar. O marido chega, dá-lhe um beijo carinhoso, diz que chegou mais cedo do trabalho para ajudá-la a arrumar tudo para a visita de seus pais, que vêm para o jantar. Subitamente o chão some sob seus pés. Rita sente a velocidade da queda e a criança põe-se a chorar, suspensa no ar. Ela ouve o choro se afastar e tenta nadar para cima no vazio do abismo... Acorda assustada com porradas na porta.
Rita se levanta rapidamente e abre a porta. Canarinho entra como um furacão.

- Sabe que horas são?, pergunta.
- Heim?!
Rita ainda está atordoada.
- Hora de pegar no batente!
- Eu cochilei. Tive um sonho tão estranho...
- Não é hora de sonhar!
- Meus pais...
- Esquece seus pais!
- Eles vinham jantar...
- Vai se arrumar!
- Já vou, já vou.
Rita começa a trocar de roupa e se maquiar.
- Havia um chão que sumia... e eu estava caindo... tinha uma criança chorando... a criança era eu... e meus pais não apareceram...
- Só me faltava essa! Você não quer que seus pais apareçam agora para nos assombrar, né?! Termine logo com isso e vamos embora!
Seus pais não estavam mais lá. Haviam morrido há dois anos, quando Rita tinha 15. E mesmo quando estavam vivos, não estavam lá. Não como pais de verdade deveriam estar. Rita não tinha memória de seu pai sóbrio uma vez sequer na vida. Muitas vezes, encolhida no quarto, ouvia apenas os barulhos dos tapas. Sua mãe suportava calada. Certa vez não ouviu mais. Ele passou a entrar em seu quarto, mexer em seu corpo, e era ela quem agora calava. Com 10 anos seu pai a possuíra. E desde então, era sempre aquele horror, aquele bafo de cana, aquele corpo enorme e suado colado ao seu, aquela mulher calada no quarto ao lado. Nada podia ser pior do que aquilo! Sim, podia. E foi. Quando Rita tinha 13 anos, seu pai já acumulava dívidas exorbitantes de jogo e bebida. Seu Oséias mandou lhe cobrar, mas ele não tinha como pagar. Naquela noite chegou em casa com a cara toda arrebentada. E foi um alívio para Rita ele não ter entrado em seu quarto. No dia seguinte puxou a menina pelo braço:
- Hoje você não vai à escola.
A menina seguiu o pai pelas ruas sem nada compreender. Ele, então, bateu à porta de seu Oséias e lhe disse, apontando para a filha:
- Aqui está seu pagamento.
A mãe permanecia calada. Rita permanecia calada. Mas não podia mais suportar, além do pai, aquele velho nojento com quem tinha que se deitar. Até que conheceu Canarinho e os dois começaram a namorar. Passado um tempo, Rita resolveu contar a ele o que se passava. O rapaz foi tomado de revolta contra os pais da moça, mas o que ela poderia fazer? Foi então que os dois começaram a planejar tudo. A morte de seus pais. Nunca mais deitar-se com aqueles velhos nojentos! Nunca mais! Nunca mais ouvir ecoar o silêncio de sua mãe! Nunca mais! Canarinho comprou o veneno que Rita despejou no jantar. Naquela noite não teve fome e foi se deitar mais cedo. Naquela noite ninguém entrou em seu quarto.
Seus pais não estavam mais lá. Canarinho a conduzia pelo braço enquanto ela tropeçava nos saltos:
- Ei, vá mais devagar!
- Devagar é o caralho, tenho contas a pagar! E você já tá meia hora atrasada porque deu agora pra sonhar!
Chegam à Copacabana, onde um cliente já a aguardava.
- Desculpe o atraso. Taí a moça. Garanto que é material de primeira!
O homem entrega a Canarinho um maço de notas. Ele as folheia satisfeito.
- De primeira!
E vai se afastando.
Rita vai para a lida com o cliente que lhe foi destinado. Ainda pensa no sonho que teve, tentando visualizar algum significado.

13.9.07

A HILDA QUE VIROU ANJO

A Hilda foi minha orientadora no primeiro projeto da minha monografia. Depois mudei o projeto e a orientação. Mas continuei tendo por ela grande carinho e admiração. Só uma semana após a sua morte, recebi a notícia, por e-mail, na lista do Necine. Fiquei um minuto paralisada, lendo e relendo, tentando entender se era mesmo da Hilda Machado que se tratava. Infelizmente era. Só depois soube que foi suicidio. Outro espanto. Um tempo antes tinha escrito um poema descrevendo um suicidio assim. Quero agora dedicá-lo a ela, onde quer que esteja, seja um leve anjo a voar sobre nossas saudades...




O anjo do 18o


para Hilda Machado
Um anjo despencou da janela do 18o andar
O anjo se atirou da janela, porque anjos sabem voar
O anjo nem disso adeus, pois sabia que ia voltar
Deixou um disco na vitrola
a garrafa de vinho pela metade
três cigarros no maço
e saudade


31.8.07







Já está no ar o novo blogue da(clique na imagem para entrar)

Brasil é tema da Galeria de Cinema do ICHF em setembro

No mês em que se celebra a Independência do Brasil, o Cineclube “Galeria de Cinema” retrata a realidade social e política brasileira, com exibição de clássicos do cinema nacional, sempre às quartas-feiras, às 13 e às 18 horas, com entrada franca. A grande novidade do projeto, que se realiza desde abril, será a inclusão de um filme de curta-metragem antes de cada longa. As sessões ocorrem na Galeria de Artes do ICHF, situada no Campus do Gragoatá da UFF, Bloco O, térreo.
Dia 05, serão exibidos o curta “Poeminha biológico para JB” (2006), de Christian Caselli, e o longa “Terra em transe” (1967), de Glauber Rocha. Personagens típicas do Brasil de hoje e de ontem, os políticos corruptos - reais ou fictícios - estão no centro das narrativas de ambos.
Dia 12 é a vez de “Quem matou Elias Zi?” (1986), curta de Murilo Santos, seguido de “Vidas secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos. Aqui a personagem é o povo, o trabalhador rural e o retirante nordestino, expulsos de suas terras pela força dos homens e pela força da natureza, respectivamente.
Dia 19, o operariado entra em cena em “Eles não usam black tie” (1981), de Leon Hirszman, antecedido pelo curta “Criaturas” (2005), de Márcia Brêtas, onde temos já um ex-operário no poder.
Dia 26, tanto o plano geral do Brasil de “Cronicamente inviável” (2000), de Sérgio Bianchi, como o plano detalhe de “Ilha das flores” (1989), curta de Jorge Furtado, revelam a lógica perversa do sistema de exclusão social do país.
Após as sessões, o público presente poderá ainda debater os temas suscitados, ou deixar comentários on line acessando www.galeriadeartesdoichf.blogspot.com .

26.8.07


CEP 20.000
Centro de Experimentação Poética
17 ANOS DE BALBÚRDIA!!!



TEATRO DO JOCKEY
TERÇA, 28/08
20 h - 6 reais



OPAVIVARÁ (performance) - COLÉGIO ANDRÉ MAUROIS (cenas) - CONTRACAPA (rock) - BIA & CIA (perf.) - DUDU PERERÊ + IVNY MATOS (perf.) - DANIEL SOARES (poesia)- JUJU HOLANDA (poe.) - MAURIÇÃO (imagens) - ALEXANDRE VOGLER (perf.) - DADO AMARAL (poe.) - ROMÃ NEPTUNE + CAROL BRU ( poe.) - ERNESTO SENA ( poe.) - PEDRO ROCHA (poe.) - PEDRO LAGE (poe.) - CINECEP = RENATA THAN & CHRISTIAN CASELLI - TRIO CHOROBOP (choro) - LEO MARTINELLI (poe.) - HEYK PIMENTA (poe.) - ANDRÉ SHEIK (perf.) - AIMBERÊ CESAR (perf.) - FERNANDO DE LA ROQUE (video) - FERNANDO GERHEIN (vídeo) - ANDRE BRITO (vídeo)



MC CHACAL

24.8.07

Truffaut no Cine Arte UFF


Ai, que delícia! Volto a estudar francês e logo me deparo com uma mostra de filmes do Truffaut! De 15 a 20/09, no Cine Arte UFF. Segue a programação. Acrescento que dos que vi, "O homem que amava as mulheres" é sensacional, e dei falta d"A história de Adele H.", que também é maravilhoso! "A noite americana", "Os incompreendidos" e "Jules e Jim" tem em tudo que é locadora... A maioria dos filmes dessa mostra não se acha pra alugar - é realmente imperdível!


Dia 15 de setembro - sábado
18h40
A SEREIA DO MISSISSIPI
La sirène du Mississipi, França/Itália, 1969, 120'
com Jean-Paul Belmondo, Catherine Deneuve
21h
O ÚLTIMO METRÔ
Le dernier métro, França, 1980, 130'
com Catherine Deneuve, Gérard Depardieu


Dia 16 de setembro - domingo
18h30
ANTOINE ET COLETTE
Antoine et Colette, França, 1962, 39'
episódio de O amor aos vinte anos
com Jean-Pierre Léaud, Marie-France Pisier
BEIJOS PROIBIDOS
Baisers volés, França, 1968, 90'
com Jean-Pierre Léaud, Delphine Seyrig
21h
DOMICÍLIO CONJUGAL
Domicile conjugal, França/Itália, 1970, 100'
com Jean-Pierre Léaud, Claude Jade


Dia 17 de setembro - segunda
19h
NA IDADE DA INOCÊNCIA
L'argent de poche, França, 1976, 104'
com Geory Desmouceaux, Philippe Goldmann
21h
O GAROTO SELVAGEM
L'enfant sauvage, França, 1970, 90'
com Jean-Pierre Cargol, François Truffaut


Dia 18 de setembro - terça
19h
ATIREM NO PIANISTA
Tirez sur le pianiste, França, 1960, 92'
com Charles Aznavour, Marie Dubois
21h
A NOIVA ESTAVA DE PRETO
La mariée était en noir, França/Itália, 1968, 107'
com Jeanne Moreau, Michel Bouquet


Dia 19 de setembro - quarta
18h50
UM SÓ PECADO
La peau douce, França/Portugal, 1964, 113'
com Jean Desailly, Françoise Dorléac
21h
O HOMEM QUE AMAVA AS MULHERES
L'homme qui aimait les femmes, França, 1977, 120'
com Charles Denner, Brigitte Fossey


Dia 20 de setembro - quinta
18h30
DUAS INGLESAS E O AMOR
Les deux anglaises et le continent, França, 1971, 131'
com Jean-Pierre Léaud, Kika Markham
21h
A MULHER DO LADO
La femme d'à côté, França, 1981, 106'
com Fanny Ardant, Gerard Depardieu

22.8.07

Minha universidade (Maiakóvski)

Conheceis o francês,
sabeis dividir,
multiplicar,
declinar com perfeição.
Pois, declinai!
Mas sabeis por acaso
cantar em dueto com os edifícios?
Entendeis por acaso
a linguagem dos bondes?
O pintainho humano
mal abandona a casca
atraca-se aos livros
a resmas de cadernos.
Eu aprendi o alfabeto nos letreiros
folheando páginas de estanho e ferro.
Os professores tomam a terra
e a descarnam
e a descarnam
para afinal ensinar:
"Toda ela não passa dum globinho!"
Eu com os costados aprendi geografia.
Não foi à toa que tanto dormi no chão.
Os historiadores levantam a angustiante questão:
- Era ou não roxa a barba de Barba Roxa?
Que me importa!
Não costumo remexer o pó dessas velharias!
Mas das ruas de Moscou
conheço todas as histórias.
Uma vez instruídos,
há os que se propõem
a agradar às damas,
fazendo soar no crânio suas poucas idéias,
como pobres moedas numa caixa de pau.
Eu, somente com os edifícios, conversava.
Somente os canos d'água me respondiam.
Os tetos como orelhas espichando
suas lucarnas atentas
aguardavam as palavras
que eu lhes deitaria.
Depois
noite adentro
uns com os outros
palravam
girando suas línguas de catavento.

20.8.07

Un poème en français (Rimbaud)

Je suis en train d'étudier français, pour un teste que j'aurai demain. Comme je suis très fatiguée, j'ai decidé arrêter un moment et publier ici un poème en français. Alors, voilá Arthur Rimbaud!


CE QU'ON DIT AU POÈTE A PROPOS DE FLEURS

I

Ainsi, toujours, vers l'azur noir
Où tremble la mer des topazes,
Fonctionneront dans ton soir
Les Lys, ces clystères d'extases!

A notre époque de sagous,
Quand les Plantes sont travailleuses,
Le Lys boira les bleus dégoûts
Dans tes Proses religieuses!

- Le lys de monsieur de Kardrel,
Le Sonnet de mil huit cent trente,
Le Lys qu'on donne au Ménestrel
Avec l'oeillet et l'amarante!

Des lys! Des lys! On n'en boit pas!
Et dans ton Vers, tel que les manches
Des Pécheresses aux doux pas,
Toujours frissonnent ces fleurs blaches!

Toujours, Cher, quand tu prends un bain,
Ta Chemise aux aisselles blondes
Se gonfle aux brises du matin
Sur les myosotis immondes!

L'amour ne passe à tes octrois
Que les Lilas, - ô balançoires!
Et les Violettes du Bois
Crachats sucrés des Nymphes noires!...

II

Ô Poètes, quand vous auriez
Les Roses, les Roses soufflées,
Rouges sur tiges de lauriers,
Et de mille octaves enflées!

Quand Banville en ferait neiger,
Sanguinolentes, tournoyantes,
Pochant l'oeil fou de l'étranger
Aux lectures mal bienveillantes!

De vos forêts et de vos près,
Ô très paisibles photographes!
La Flore est diverse à peu près
Comme des bouchons de carafes!

Toujours les végétaux Français,
Hargneux, phtisiques, ridicules,
Où le ventre des chiens bassets
Navigue en paix, aux crépuscules;

Toujours, après d'affreux dessins
De Lotos bleus ou d'Hélianthes,
Estampes roses, sujets saints
Pour de jeunes communiantes!

L'Ode Açoka cadre avec la
Strophe en fenêtre de lorette;
Et de lourds papillons d'éclat
Fientent sur la Pâquerette

Vieilles verdures, vieux galons!
Ô croquignoles végétales!
Fleurs fantasques des vieux Salons!
- Aux hannetons, pas aux crotales

Ces poupards végétaux en pleurs
Que Grandville eût mis aux lisières,
Et qu'allaitèrent de couleurs
De méchants astres à visières!

Oui, vos bavures de pipeaux
Font de précieuses glucoses!
- Tas d'oeufs frits dans de vieus chapeaux,
Lys, Açokas, Lilas et Roses!...

(continue demain...)

ps. Un jour je vais comprendre tout ce que j'ai écrit ici, tout ce que Rimbaud a écrit! Pour ça je vais étudier maintenant. Au revoir! À demain!



16.8.07

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Mais um poema mexido:

ADORNOS DENTES

Um sorriso doído me tira o sono
Mandíbulas cerradas de dor latejante
Como cravar os dentes na palma da mão, se a dor me vem das raízes?
Como morder a fronha, o travesseiro, pra dor escorrer dos olhos?
Como, se a dor se planta na boca, não deixá-la brotar em sorrisos?
Mostro os dentes cravados nas gengivas como se fossem punhais enterrados no peito.
Meus dentes correm rasgando a gengiva como um punhal lasca a carne viva.
Ostento dentes que são adornos, não mordem.
Só me resta ladrar, uivar, rosnar e sorrir...

12.8.07

Novo do velho poema

Mudei alguns versos de um poema. Achei que ainda não estava bom. Fui mexer mais nele hoje, e a partir de um verso novo, me surgiu um outro poema, que não guarda qualquer semelhança com o primeiro. Achei interessante esse processo. Segue o resultado (ainda não dei título):

queria ser a princesa dos teus contos de fadas
mas nossos reinos são distantes tantas léguas!
você se tranca em seu castelo de cartas
e-mails poemas
eu construo castelos de areia
que a onda leva...

10.8.07

escrevo porque é líquido
é a água que bebo
é a fonte
é com o que me banho

escrevo porque vejo versos no fundo do copo
mas tem sempre um verso avesso
que escorre pelo ralo...

versar

escrevo porque respiro
ou porque o ar me falta
escrevo a plenos pulmões
ou como quem traga um cigarro
escrevo porque inspiro, expiro
escrita é respiração
pode ser entrecortada, ofegante
pode ser calma
pode ser sufocamento
eu gosto é de escrever suspiro

e respirar verso puro

musa mosé

ando exercendo instantes-viviane mosé
amo a poesia dessa mulher. falada. escrita. lida. toda palavra sua é bendita e bem vinda.
seguem alguns de seus versos de que gosto especialmente, porque eu escrevo é pra dissolver tumores:

muitas doenças que as pessoas têm
são poemas presos
abcessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra seca
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima

lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema

Viviane Mosé (Pensamento Chão, Ed. 7 Letras)

5.8.07

navalhas e bisturis







salvo poemas à beira da morte
talhando palavras com bisturi
como se o deslizasse
sobre a carne humana
corte preciso
e necessário
porque há algo dentro que não vi
um órgão que falha

às vezes meto logo a navalha
puta em briga de rua
que escancara o verbo
puxa a gilete
e se lasca

gosto dos versos descabelados
com que me atraco
no chão imundo
de um pardieiro
fica no ar um odor
que é ainda melhor
que o cheiro do hospital
- o mesmo éter pra todo caso terminal

mas retomo o bisturi
a agulha de cerzir
corto, costuro aqui e ali

há poemas que desmaiam
perdem os sentidos
há os que perdem a vida
na mesa de cirurgia
e há ainda os que morrem à míngua
na fila de espera de um transplante
mas tem poema que fura a fila,
se apressa
no tráfico de órgãos que eu mesma faço
não pondo preço,
mas por puro apreço
a alguns versos

médica ou puta
bisturi ou navalha
de tudo me valho
porque o que vale
é o poema que vive
é o poema vivido.


(obs.: Este ainda vai pra mesa de cirurgia um dia... mas já tá vivo)

1.8.07

mais velhos poemas novos

Estou adorando essa coisa de refazer poemas pra montar meu livro! Porque eu pego uma coisa super dramática, um sentimento de morte, que eu não soube traduzir da melhor forma na hora, porque estava sendo levada só pelo sentimento, e transformo num belo poema, mais lapidado. E quando eu releio eu vejo que, agora, ele traduz muito mais e melhor o que eu sentia!... Segue o antigo novo poema:

velório

me vejo velando um enterro
os olhos vestidos de negro
choro sozinha

me vejo, vela em punho e véu,
a chorar uma morte
a minha

me vejo morta
estendida, dura, fria
e ainda em agonia...

assassinada sem réu
suicida sem carta de despedida
eu morro em vida.

31.7.07

Paradoxos

para Juju Hollanda

Tem algo nesses olhinhos que é inquietação e angústia
e os olhos brilham, doces, serenos, quase inocentes
como se a noite fosse uma criança com quem se brinca
Tem algo nesses olhinhos que é desejo e fúria
e tem um quê de amor e calma
Tem brilho que é luz refletida das ruas,
e tem toda a luz que emana da alma.

Tem algo nesse sorriso que é pureza e doçura
e o riso se expande numa gargalhada
como se fosse espanto a madrugada!
Tem um rir que é de histeria e medo
Tem algo que é um leve abandono
Há um riso que ri de si mesmo
e os sorrisos que vagam sem dono...

Tem algo nesses versos que é noite sem fim
que se acua sem saída em becos escuros
Mas há sempre, nesses versos, uma luz que raia
Tem sempre algo que amanhece
pés descalços na areia da praia...

29.7.07

2 versões d'a volta

a volta (primeira versão)

teus olhos apontados pra mim como punhais
me punham cega
de medo
e eram giletes que eu via em ti
no lugar dos dedos
nossos beijos selavam pactos de morte
mas era só eu quem morria...
- e sem enterro, sem missa de 7º dia!
eu corri dos olhares que me apunhalavam
eu fugi de abraços fortes que me cortavam
quis me livrar do veneno que escorria de nossas bocas juntas...
por um longo longo tempo
caminhei pela areia pra suavizar os pés
depois de sapatear sobre os nossos cacos
andei, andei, andei,
dei a volta
só pra tornar a ver estes teus olhos
se oferecerem a mim como girassóis
só pra sentir teus dedos serem veludos na minha pele
e tua boca, e nossas bocas, num brinde à vida,

se reencontrarem!

a volta (segunda versão)

teus olhos apontados pra mim como punhais
me punham cega
de medo
e eram giletes que eu via em ti
no lugar dos dedos
nossos beijos selavam pactos de morte
mas era só eu quem morria...
- e sem enterro, sem missa de 7º dia!
eu corri dos olhares que me apunhalavam
eu fugi de abraços fortes que me cortavam
quis me livrar do veneno que escorria de nossas bocas juntas...
por um longo longo tempo
caminhei pela areia pra suavizar os pés
depois de sapatear sobre os nossos cacos
andei, andei, andei,
dei a volta
só pra me retalhar de novo nos mesmos velhos cacos

ah, quer saber?! um brinde ao nosso fracasso!