19.10.07

IÓ! José Celso Martinez Corrêa


vai, anjo profano, sagra de amor os que sangram
singra os mares em que nos derramamos
pesca êxtase
pesca palmas
pesca lá do fundo nossas almas afogadas
dos que penam,
pega as penas,
tece asas
e as lança
e num relance
majestosas aves
a flanar nos ares
colchas de nuvens retalhos se amalg-
amando
vem, orgíaco combatente das armas do fogo
contra a treva
refletores
de entraves,
gols
estádio em ola
atacantes do desataque
exército do desmassacre
a sacar baionetas de flores
bandeirolas multicolores
pra fazer do en noir
en rose
rosa que no céu floresce sem ser bomba
a fauna a flora de desejos
converge verte em todo o canto
coro de tantas cores
vem, louco lúcido, com seu manto lúdico nos cobrir
para nos descobrir
brasis
que somos cada
e somos todo
tin-tin, a nós, ao desatar
vai, assustadora fera, indomável, inominável
me deixa só
com estas asas
com este manto
estas pegadas

que decalco

meu mapa

2 comentários:

Heyk Pimenta disse...

Cara,

como pode?

De uma sonoridade absurda. Como se fosse verdade. Absurda!


Adorei.

Você é a décima segunda coisa sobre o Zé Celso no Google e merece tá até pra cima. Viva!

Beijo de cara!

Beatriz Provasi disse...

Que ótimo!
E seja bem vindo, Heyk!
Beijos!