3.12.09
ORAÇÃO
mas anjos têm asas
a gente segue voando
e se espatifando no chão
só queríamos ser anjos
mais nada
mas anjos têm asas
pra atravessar a escuridão
só queríamos ser anjos
tocadores de harpas
mas tem uma guitarra
arranhando o coração
anjos, anjos, mais nada
mais uma dose
mais um trago
mais uma droga
um beijo, um escarro
mais um salto
mais um chão
anjos tocadores de harpas
anjos portadores de asas
todos rindo da nossa cara
(verdade ou alucinação?)
2.12.09
DEUS É FODA!!!
28.11.09
Esfinge e Oração - amostra grátis

E na terça, dia 1º, apresento "Oração", de Fernando Arrabal, com Aline e Nanda no Jardim da UNIRIO, às 19h30. Desde às 16h30 estarão rolando várias cenas. A nossa vai ser a última. O texto é foda e a nossa encenação acho que tá no mínimo interessante. (é a tal cena pra qual eu tava testando cheirar açúcar)
27.11.09
olhos de noite amanhecida
e um arrepio na espinha
- ainda estou naquela esquina.
26.11.09
A menina não estava sozinha. A seu lado, um coroa vidrado na gatinha. Tavinho devia estar mais inseguro que ela, apesar de sua longa estrada. Assim, como ficam os coroas com gostosas bem mais novas e cheias de atitude, meio desconsertados... Encontrei Tavinho mais cedo transtornado pelo esporro que tinha tomado da BB por tê-la feito borrar a unha. Que nem a criança que acabou de levar uma bronca da mãe porque fez coisa errada. Tavinho seria um desses moleques bem agitados, que não pára quieto um só segundo, que é a mãe desviar o olho e ele já virou o mundo de pernas pro ar, construiu um foguete com utensílios de cozinha e já está pronto pra embarcar! E embarca... Depois volta cheio de novidades, e já marcou com o ET dono de um bar um show de poetas no meio do Sistema Solar! Tavinho é assim. E ai de quem não acompanhar! E lá estava ele no palco dizendo: “Eu só posso ser aquilo que eu sou 24 horas por dia”. Tavinho é assim. É o que ele é. E é tudo o que ele queria.
Um pouco antes eu adentrava o Canecão, junto com a minha irmã, Aninha, com um convite que dizia “Setor B, Mesa 364”. O que eu procurava era o meu lugar, e não essa indicação. O meu lugar que era junto com Marcela, Maysa, Fernão, Juju, Eliana, Tito, Adriana, Maristela, Dalberto, Ricardo, Bayard, Luiz etc etc etc. Estavam todos lá, os poetas, aglomerando mesas que não era “as suas”, pra verem juntos aquilo que seria um acontecimento poético-musical no palco de peso do Canecão. Os poetas, acostumados a viver em guetos, eventinhos de poetas para poetas, vibrando com aquela janela, portão, grade, porta de garagem, porta aberta, escancarada, dando passagem pra palavra. E foi assim que, extasiados, vimos Betina entrar. Depois Tavinho. Num bate-bola lindo! Um dando o passe pro outro marcar. Preparando o território pra Karla Sabah.
Karlinha entrou gostosa, falando o poema que ela deu o título de Madame Kaos. O show foi todo lindo, ela brilhou! No final os poetas foram todos pra linha de frente, pra beira do palco, dançar, como boa vanguarda, convidando o público todo a se levantar. E no bis do “Cala a boca e me beija”, num momento me deu um estalo, é agora: subi no palco e fui caminhando com os braços abertos em direção à Karlinha, que feliz em me ver, retribuiu o meu beijo, um estalinho, um abraço, outro estalinho, e a minha saída calmamente do palco. Não poderia sair dali sem atender ao pedido que ela me fazia no outdoor, sempre que eu passava na frente do Canecão, durante uma semana inteira, e que ela reiterava com a sua linda voz na primeira execução da música e durante todo o bis. Um beijo que diz “eu te amo” em silêncio. E fica ecoando...
alô, alô, testando...
24.11.09
23.11.09
EXPLOSÃO
de manhã especialmente
sempre penso em explosões
ligo o gás pra preparar o café
explosões
andando pela rua vi três botijões de gás empilhados,
um em cima do outro
pensei em explosão
quando bati de carro
pensei em explosão
sempre que passo por um posto de gasolina
penso em explosão
às vezes acendo um cigarro.
BAGANA NA CHUVA
ele costumava olhar os pássaros
o retrato de uma garota e um estilete que não ia usar
caiaques no céu
baganas atiradas em poças d’água
gotas de chuva com gosto de pepsi-cola
ele nunca conseguia chegar em casa
era preciso pegar uma mulher e fugir pra algum lugar
um lugar onde não se ouvisse falar de amor
onde ninguém soubesse tocar saxofone
mas ele apenas tomava conhaque na janela ouvindo blues
(música é melhor que saber o caminho de volta pra casa)
20.11.09
BLUE EYES
blá blá blá blá
ele é totalmente demais
ele tem um grupo de green eyes
com seus olhos the blues man
the girls da sua life
as she-has do seu he-man
qualquer coisa dá o start
ele não aceita o stop
art é action, vida é arte
ele é pop, ele é top
com seus olhos de blues man
suas moças de green eyes
sua batida beat
transportada em bytes
ele não topa o stop
ele quer sempre mais
seu heart beat bate
pelas belas de green eyes
* autor de músicas como "Rádio Blá", "Totalmente demais" e "She-ha" - siiiiim..., a da Xuxa! grande poeta. e grande amigo.
ESSA COISA
essa urgência
uma ânsia
uma coisa qualquer
um impulso
um fascínio
uma atração incontrolável
isso que é inominável
sem explicação
esse jogar-se
atirar-se ao precipício
um sorriso no rosto
no abismo
o chão se aproxima
a queda é certa
vai doer, vai sangrar
vai espedaçar
você pode morrer
você pode matar
todo o risco
todo o medo
tudo o que é angústia e desespero
se desmancha no ar
naqueles segundos
em que a paixão clareia os sentidos
tudo é leve, não há gravidade
e você sabe,
contra todas as leis da física,
você sabe que não está caindo
e mais do que tudo, você sabe
tem a plena certeza
de que sabe voar
tem uma dorzinha da tua mordida no meu pescoço que me faz um bem...
se eu soubesse que ao deslizar a mão desde a nuca ia me sentir assim
tinha oferecido meu corpo todo aos teus dentes
antes
sempre
18.11.09
16.11.09
QUANDO NÃO SE ACREDITA
quando você não acredita
em comerciais de margarina
em novelas do manoel carlos
a vida até que é boa
quando você não acredita
em deus e no diabo
no certo e no errado
a vida até que é boa
quando você não acredita
em previsão do futuro
em remissão do passado
a vida é boa
quando não se acredita
quando ela simplesmente
(se fingindo de acaso)
te surpreende
APENAS ISSO.
você e eu
cercados de antenas
de topos de prédios
à nossa frente, o precipício
o abismo sob nossos pés
e a gente sentado em silêncio
balançando as pernas
lado a lado
um suave sorriso
e a leve impressão
de que viver vale a pena
14.11.09
GATINHO DE ESTIMAÇÃO
jogada no sofá lendo um livro, fumando um cigarro, no silêncio que é a minha calma
e um gato passeando pelas minhas pernas
vindo acomodar-se perto do meu peito
bem de mansinho...
só pra eu sentir, entre um ronronar e outro,
um leve alívio de ser amada
(mas não há gato, não há alívio, não há nada)
13.11.09
INESPERADO
é que tem coisas realmente inesperadas
é que eu não sei quantos chopps tomei
nem que horas eu vou voltar pra casa
é que de repente eu me animei
é que de repente eu não sei
eu simplesmente não sei
nem sei se eu quero saber de alguma coisa
é que eu simplesmente me deixo levar
e que tem coisas inesperadas
é que o que se espera é muito chato
o previsível, indesejado
é que de repente o desejo nasce do acaso
é que de repente o acaso é um caso sério
é que nada é de caso pensado
é que o que se pensa é muito chato
o impensado, desejado
é que de repente o dia amanhece
é que de repente a vida amanhece
é que de repente, eu ainda estou de noite
eu preciso de óculos escuros
com vista pro mar
eu preciso de você
com vista pro mar
das aves negras no céu
das ondas brancas no chão
das bebidas trancadas no bar
de burlar a segurança
das saídas de emergência
do 28o andar
de tudo o que nos ronda
de tudo o que eu nem sabia -
de tão inesperado! -
que eu iria precisar
você e eu (só)
(sem vista pro mar)
9.11.09
IMINÊNCIA
o por fazer melhor que o feito
muito maior que o ato (mais vasto...)
o que está nas mãos está nas mãos.
não é desejo de pegar
[a mão só avança pelo que fica no ar]
desejar e ter é muito bom - essa urgência...
mas bom mesmo é morder o sanduíche pelos lados
e deixar por último o meio cheio de recheio!
ou comer primeiro a parte seca do biscoito recheado
ou guardar aquele último gole de coca-cola pra manhã do dia seguinte de ressaca - hummm...
a coisa deixa de ser a coisa em si e vira um objeto de desejo
como um beijo guardado
[estamos sempre na iminência de algo]
longa viagem para avestruzia

eu queria ver avestruzes cruzando o aterro esta noite!
avestruzes enormes cruzando o aterro do flamengo
para espanto dos seres terrenos
1, 2, 3, 4, 5... vários!
nas duas pistas
correndo
não me pergunte por que avestruzes
são seres estranhos
meio pássaros, meio humanos
como um gordo americano empunhando o seu bic mac no pódio
tendo a velocidade de um keniano
avestruzes enormes, gordos, comedores de bic mac e corredores de maratona
com suas pernas finas e compridas dando largas passadas de corrida
cruzando o aterro despreocupados, desprevenidos dos carros
para espanto dos motoristas embriagados
ia dar no noticiário:
“acidente no aterro é causado por avestruz na pista”
“de acordo com testemunhas, os avestruzes desembarcaram minutos antes no aeroporto santos dumont”
“ainda não se sabe por que vieram”
“os avestruzes permanecem detidos para averiguação”
“segundo o comandante do 13º batalhão, ainda não foi possível colher os depoimentos porque os avestruzes não falam a nossa língua”
precisa-se de tradutores de avestruz – anunciaria o jornal nos classificados
tradutor de avestruz se tornaria um emprego valorizado
não por ser um trabalho assim tão bacana, mas por estar em falta no mercado
logo surgiriam os cursos especializados:
- avestruzês para iniciante
- avestruzês – curso básico
- avestruzês advanced
e as publicações:
- avestruzês para viagem – guia de bolso
etc.
e até as universidades ofereceriam habilitação no curso de letras
marque a opção de habilitação no curso desejado:
( ) inglês
( ) francês
( ) alemão
( ) espanhol
( ) avestruzês
e por aí vai...
mas tudo isso não tem a menor importância
eu só queria ver avestruzes cruzando o aterro esta noite
sem nenhum sentido político, social ou educativo
pela sua total falta de sentido
pela sua total irrelevância
só porque eu acharia bonito
como uma poesia
cruzando o aterro para estar comigo
espelho sem água
sem margem pra debruçar
miragem, miragem
caminho pra algum lugar
deserto, lugar de passagem
lugar que não dá pra ficar
sempre igual, sempre igual
duna aqui, duna ali
vários contornos
a mesma paisagem
sempre o mesmo chão
sempre o mesmo sol
sempre a mesma noite fria
depois do calor do dia
sempre o mesmo céu
sempre o mesmo sou
em busca de oásis
deserto de areias brancas
deserto sem água
sem margem pra debruçar
espelho sem fim
5.11.09
NO SILÊNCIO DAS HORAS
dolorida em todas as demoras de não ser
do não sei...
o não que se impõe no talvez
sem nunca ter sido dito
ecoando no tempo esgarçado
no espaço vazio
o não na voz são três letras
palavra de curta duração
bala que atinge em cheio
uma só dor, e a paz eterna
o não no silêncio é a sala de espera
é a sala de espera
é a sala de espera
espera
espera
hemorragia interna
eterna, silenciosa, consumida de dores de demoras
como é triste a resposta que se dá no silêncio das horas
4.11.09
PERFORMANCE

31.10.09
NUMA NOITE QUALQUER...
quando colhemos a poeira das ruas
e os postes iluminam apenas poças d’água que refletem solidão e dor
e uma criança vende chicletes na madrugada
e um bêbado grunhindo gemidos desconexos
corta o silêncio, invade o poema
falar de flores e da luz da lua
não vale a pena
II
um hippie corta palha e me faz uma esperança
eu não quero, estou dura
um hippie corta palha e me faz uma flor
eu não quero, estou dura
me faz um peixe, um pássaro
várias formas de dobradura
quando ele já está convencido
me presenteia
de peixe, pássaro, flor
de esperança
e eu tiro do bolso um sorriso
quase doce
de criança
III
uma sirene de polícia
de ambulância ou de bombeiro?
uma rajada de tiros
ou de fogos de artifício?
uma confusão
ou um festejo?
um bêbado xingando
ou bradando versos de amor?
é de alegria ou dor
de medo ou esperança
a síntese dos sons da madrugada?
Difícil ser funcionário
Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.
Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.
É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.
Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.
Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança
Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.
26.10.09
19.10.09
16.10.09
Eu era o pacote completo, e eles fizeram um lindo laço de fita pra enfeitar a caixa (ou poemas de amigos)
Bia Provasi
voz suave e tranqüila
divertida e atenta
sempre em paz
sempre faz
acontece
ama
ri
.
recita
a vida
poesia
que faz
a cada dia
um verso
a cada gesto
e o ritmo
no pulso
seu olhar de anjo
o jeito de ocupar o espaço
a dança que faz com o braço
a vida que dá ao poema
abrem portas no universo
para acompanharmos
sua vida a cada verso
15/09/09
(AMIGOS: Eu, Fernão, Maysa, Marcela, Maíra, Juju e Célio)
Atemporal
para a grande amiga, Beatriz Provasi.
Artista de verso e de palco

(AMIGOS: Lucio, Tamara, Natália, eu e Jacomo)
10.10.09
NU ARTÍSTICO
tento esconder as gordurinhas dos meus pensamentos
mas elas pulam pra fora, formam pneuzinhos
meus poemas são repletos de pneuzinhos
são o corpo imperfeito de um espírito inquieto
não uso maquiagem e vivo descabelada
meus versos têm um dentinho torto que aparelho nenhum dá jeito
cansei de sorrir com a mão na frente pra esconder o defeito
hoje sou só gargalhada!...
desfilo versos desengonçados pelas passarelas
me deixo fotografar com as expressões mais ridículas
o amor é ridículo – por que meus versos têm de ser bonitos?
eu defendo a feiúra da obra de arte
a estética da feiúra, da imperfeição,
do exagero, do excesso de informação
a estética dos engarrafamentos, da fumaça, das buzinas
do muro pichado, do lixo revirado
de tudo o que é caótico, urbano
de tudo o que é humano
a nudez mais funda é a alma exposta, ferida aberta,
coração dilacerado atirado no asfalto
que ainda pulsa, pulsa, pulsa...
antes de ser esmagado pela roda do carro
o motorista apressado nem vê
(está sempre atrasado pra viver)
eu desacelero, recolho, emolduro, exponho:
é o meu poema
que ainda pulsa, pulsa, pulsa...
eu estou nua dentro de um carrinho de compras no meio da rua
mas são poucos que têm olhos pra ver.
15.9.09
uma carta (ou história de ninar)
Beijos,
Bia
ps. este texto integra o livro em processo "Oscar manda lembranças"...
5.9.09
iminência (primeira versão)
é o olfato, o tato,
o toque que arrepia
o gosto de quero mais
é o que fica no ar
que você quer apanhar...
o que está nas mãos está nas mãos.
não é desejo de pegar
desejo é impulso, é vontade,
sonho de ser realidade
o que move, motiva, o que pulsa
desejar e ter é muito bom - essa urgência...
mas melhor é morder o sanduíche pelos lados
e deixar por último o meio cheio de recheio!
ou comer primeiro a parte seca do biscoito recheado
ou guardar aquele último gole de coca-cola pra manhã do dia seguinte de ressaca - hummm...
a coisa deixa de ser a coisa em si e vira um objeto de desejo
como um beijo negado
[estamos sempre na iminência de algo]
24.8.09
é tão feio unha descascada de esmalte vermelho!
é feio ver explícito o pedaço que falta
mas, afinal, isto é meu espelho:
um pedaço que falta gritando vermelho intenso no corpo inteiro.
e não adianta retocar aqui, ali, acolá
o jeito é tascar acetona e tirar tudo!
depois, repintar de outra cor
um tom mais claro pra dar leveza...
pra descascar sem dor
um descanso, uma pausa, um alento.
e depois, um recomeço
um novo vermelho intenso
que só descasque no tempo certo de repintar
dando a impressão de estar sempre a durar...
eu preciso dessa ilusão!
em não ver o pedaço que falta,
é como se ele não estivesse lá.
(a pior ausência é a que se faz presente no espaço vazio que a denuncia)
20.8.09
Sarau da UNIRIO
29.7.09
amigo não se ganha
amigo não se faz
amizade não cresce, não se constrói
e é por isso que amigo não se perde
amizade não se desfaz, não diminui, não se destrói
amizade é um encontro que acontece
amigo
– e isso é tanto e é só isso –
se reconhece
20.7.09
De lá vamos para o Sarau Eletrônico do Tico Santa Cruz, que é transmitido ao vivo pela internet. Pra saber o endereço do site e mais informações, acesse: http://bloglog.globo.com/ticosantacruz/
14.7.09
você é tão inteligente
já deveria tê-las
talvez as tenha
mas não!
a verdade é que você não tem resposta nenhuma
até as dúvidas você suga dos outros
cite filósofos e poetas e grandes cineastas
cite o mundo inteiro!
mostre o quanto você é capaz de armazenar conhecimento
e não ter uma idéia própria
porque tem medo
eu sou bonita e veja você!
eu não sou burra – sabe por quê?
porque eu sei pensar por mim mesma.
e falo fernando pessoa, e clarice lispector e a puta que o pariu!
(se eu acho que eles dizem o que eu quero dizer)
mas eu sei dizer o que eu quero
com as palavras que EU quero
ao contrário de você.
você foi treinado para ser o inteligente
e não é capaz de compreender a beleza
de simplesmente
SER
eu nunca fui adestrada
sou fera solta
ferida às vezes
mas sempre capaz de ferir
não se meta comigo, rapaz, você vai se arrepender!
eu podia dizer o que eu disse e algo mais, e daí?
eu sou o que eu sou.
e você?
você é o que fizeram de ti.
9.7.09
UM POEMA RUIM (ou a minha melhor resposta)
porque você só dorme com a namorada e eu sou a vadia
porque você me conta das suas trepadas
e dá em cima da minha melhor amiga
eu podia destruir você em poucas palavras
falar que você trepa mal e beijar meu amigo gay
eu podia ignorar a sua existência, que é o melhor tapa na cara
eu podia trepar com todos os caras, menos você
ou te seduzir só pra dizer na hora h,
que nem geni a herculano:
- “você só toca em mim casando!”
mas não vou fazer nada,
nada, nada, nada
não vou dizer nada
só não vou dormir com você porque não sou sua namorada
e nem vou dar mais ouvidos às histórias das suas trepadas
vou sair com a minha melhor amiga pra falar de você e de outros caras
e dedicar a você um dos meus piores poemas
já que é da minha poesia que você tanto gosta
então eis um poema ruim
(ou a minha melhor resposta)
27.6.09
8.6.09
não fujo da dor
encaro.
se pra amar é preciso doer, que doa!
e doa mais, muito mais, sempre mais...
(sofreria é se não doesse de amor)
doer é uma forma de sentir-se vivo
ter um corpo com terminações nervosas
e um músculo se exercitando no meio do peito
é natural da vida
se você entra numa academia e exercita demais o músculo do braço
no dia seguinte, o braço vai doer
com o coração é assim
é um músculo como qualquer outro
mas é um tipo de dor - exercitar-se - um tipo de dor que dá prazer
você sente que tem um corpo e faz dele o que quer
você sente que tem um coração e que ele bate e que ele apanha
não queira apaziguar meu coração
ele é um lutador de boxe, um campeão!
não uma bailarina na ponta dos pés...
vale sangrar no canto da boca e inchar o olho pra levar o cinturão
de que me vale dinheiro?
eu quero o título, as homenagens...
quero todas as honras...
e o inchaço no rosto e o dente que voa pelos ares
eu quero também
eu quero todas as minhas cicatrizes das minhas lutas e das minhas conquistas
e de todas as vezes que eu fiquei na lona
eu as trago comigo, as ostento como um troféu
você acha que eu sofro, que estou triste?
tenho tudo o que quero, mesmo quando não tenho
porque faço do meu jeito, sem medo de correr riscos
eu entro no ringue com a mesma disposição pra luta
seja o adversário um frangote ou um troglodita
de que me vale a sua segurança?
andar de cinto, atravessar na faixa, jamais avançar o sinal,
cercar-se de grades, câmeras, alarmes – prisão!
eu atravesso fora da faixa no sinal aberto correndo ao ar livre
só para abraçar alguém que vive!
morrer, cedo ou tarde, todo mundo morre
e também se morre, e muito mais cedo,
e muito mais triste o seu enterro,
quando se morre de não viver.
(meu coração não pára nunca!)
4.6.09
Carta de um livro em processo (para Fernando)
1.6.09
1 ano de Corujão em Niterói

27.5.09
Nesta quinta, dia 28
Este terá coordenação de Guilherme Zarvos, e de acordo com a Photophophoka de Tavinho Paes (link ao lado), a programação terá: "o poeta alagoano Lêdo Ivo, o rock da garotada dos Azuis; o talento cênico de estrela Alessandra Colasanti; O Coelho Rosa, Sol na Garganta do Futuro; lançamento do livro O Poeta Maldito da Lapa, de Kbé Saraiva (cuidado com os microfones!), e do 4º vídeo da CEPensamento TV; além dos experimentos sensoriais de Liza Machado e da gastronimia do Chef Z Guinle, que servirá no encerramento seu fabuloso ...risotto al funghi!"
18.5.09
Fim de jogo.
10.5.09
primeira poesia
matéria-prima do poeta
palavra
a gente lavra, lavra
esculpe a palavra
pinta de várias cores
faz soar em vários tons
brinca na ginga
dança na música das palavras
meu primeiro poema
foi a primeira palavra falada
para o público mais comovido
mãe
é palavra, é gente
abrigo, alimento, é vida
é toda palavra já dita
toda a palavra não-dita
toda bendita palavra gerada no ventre do universo
todo verso
e toda prosa
mãe é toda, e todas são,
rima mais rara, mais cara, mais rica
e nem precisa ser escrita
mãe é
poesia
28.4.09
VERSOS DA MEIA-NOITE COM MADAME KAOS!
20.4.09
UM SINISTRO (COMO NOS TERMOS DO SEGURO)
Por um triz a batida não foi na porta do motorista, no caso, eu
Por um triz eu não perco a vida ou me estrepo toda
E teria sido por um triz que eu não teria avançado aquele sinal, ou que teria avançado o anterior, porque eu parei no primeiro, mas o medo não me deixou para duas vezes seguidas no mesmo lugar em que eu tinha sido assaltada há pouco tempo
Eles nos levam tudo instaurando esse clima de medo, levaram o meu celular, ferraram meu carro e podiam ter me levado a vida, por um triz
Se o motorista do outro carro tivesse freado, a batida teria sido na porta do meu lado
Ele passou pouco antes, e batemos frente com lateral dianteira
Por um triz eu não bato na porta do carona onde estava a mulher dele, por um triz a mulher dele saiu inteira, sem nenhum arranhão
O carro ficou todo ferrado, mas por um triz estávamos os três inteiros
Eu tremendo e chorando e não achando o maldito cartão do seguro na bolsa, e não conseguindo montar o triângulo, dependendo da ajuda de estranhos
Eu tremendo e chorando sozinha de madrugada olhando o estrago no meu carro e no carro dele, enquanto ele calmo chamava a polícia pra fazer ocorrência
Não sei se a calma dele me acalmava ou me deixava mais nervosa, eu só pedia desculpas, tremia e chorava e me sentia engolida por toda a solidão e desamparo do mundo
Foi só um segundo, eu não vi, só senti a batida, e por um triz... Por um triz não acontecia, ou seria pior, por um triz...
Depois de acionar a polícia, o seguro, o reboque, duas horas depois eu estava em casa, tão cansada...
Mas agora a imagem da batida, mais que a imagem, a sensação, porque eu não vi nada, aquela sensação não me deixa dormir
A sensação de um segundo, o barulho, a porrada, o cheiro de borracha queimada, e eu sem saber se desligava o carro, puxava o freio de mão ou ligava o pisca alerta, ou tirava o freio de mão e saía logo do carro antes que um outro viesse na minha direção... eu saindo do carro tremendo ainda sem saber direito o que estava acontecendo... meu deus, o que eu faço, eu nunca bati com o carro? O casal sai do outro carro. Vocês estão bem? Estão. E eu sento no meio-fio e começo a chorar porque eu não acho na bolsa o cartão, o celular, e nem sei pra quem eu devo primeiro ligar... Eu não acho o documento do carro, a carteira de habilitação, e nem sei o que devo falar. Pro casal eu só peço desculpas. Desculpa, desculpa, desculpa... Eu tive medo de parar.
E agora eu não consigo dormir, porque eu queria esquecer, mas eu preciso lembrar. Eu que freqüentemente dirijo sob efeito de álcool, eu não tinha ingerido uma gota de nada. Eu preciso lembrar pra descobrir o que foi que eu fiz de errado. Avançar o sinal? O motorista do reboque veio avançando até Niterói. Todo mundo avança sinal de madrugada. Porque uma menina sozinha no carro não avançaria?! Como foi que eu não vi o outro carro que vinha? A rua parecia tão deserta... Será que a culpa foi minha, ou não estaria ele muito acelerado? Como eu não vi? Eu avanço os sinais vermelhos de madrugada, mas também sempre reduzo nos verdes, porque eu sei que todo mundo avança, então reduzo por segurança. Ele não reduziu, não me viu. Tudo bem, tava verde pra ele, mas por que ele não reduziu? Até bêbada eu faço isso, meu deus! Principalmente bêbada, fico mais cautelosa, por me saber a priori errada. Mas desta vez eu não tinha bebido nada, só água. Só tinha medo de ficar parada, e um pouco de pressa de chegar em casa. Nem cansada eu estava...
Agora tá lá o meu carro todo ferrado, eu ainda sem saber o valor do estrago, mas já sabendo que o seguro não cobre tudo e que eu não tenho um tostão pra bancar o conserto.
Agora ta lá o meu carro ferrado, e eu aqui com a sensação da batida a me despertar toda hora que eu me entrego pro sono. Como se o sono fosse aquele segundo de distração, onde tudo aconteceu por um triz.
Por um triz, eu bati. Por um triz, não consigo dormir.
Aí eu desci pra comprar uma cerveja e vi lá embaixo meu carro amassado e pensei: que merda! Aí eu desisti de dormir. Agora só tomo a minha cerveja e fumo o meu cigarro... Não há nada o que fazer. Só lembrar ao máximo, pra depois conseguir esquecer.






















