9.11.10

UMAS COISAS QUE TIRAM A MINHA RESPIRAÇÃO (ACÁ NO HAY SUSPIROS)

Eu queria estar fumando um cigarro, que é um maldito hábito que eu tenho, além de ser um vício, um maldito hábito fumar enquanto escrevo no computador. Mas hoje o médico diagnosticou: pneumonia. E isso me fodeu a vida! Estava fumando dois por dia, por causa da febre e tudo o mais, mas agora nem isso. Nem um maldito, um mísero cigarro. Shit! – como dizem nos filmes. Voltei de São Paulo com esta merda pregada no pulmão. Veja bem, não é cirrose, embora eu tenha me esforçado muito por secar cada garrafa de álcool que aparecesse na minha frente. Ok, não foi tanto esforço assim. Mas não é nada disso. Não é gastrite, nada. É pneumonia. Isso quer dizer que o que me fez mal foi nada mais nada menos do que respirar. Ok, ok, respirar o ar da cidade de São Paulo não é pra qualquer um, tem que ter estômago, ou pulmão, sei lá, tem que ter colhão! Eu não tive... Caí de cama. Me espatifei. Essas coisas. Pulmão detonado. No smoking. O Ministério da Saúde adverte: São Paulo faz mal à saúde.


Mas há coisas agradáveis em São Paulo, como os passeios noturnos pela Praça Roosevelt, onde o meu carro foi saqueado. Eu entendo. O lançamento do meu livro 2 dias antes tinha sido sucesso absoluto e uma gangue de literatos dessa Praça – famosa por seus teatros e por imbecis que atiram em dramaturgos – arrombou o meu carro com o único objetivo de levar meus livros – claro! Só que na pressa, eles tentaram levar o carro. Não conseguiram. E ao saírem ainda aos tropeços nem perceberam que levavam junto uma câmera de vídeo digital e umas roupinhas de grife numa sacolinha vagabunda de supermercado... coisas inúteis e sem o menor valor. O que importa são os livros!, bien sur, os livros! – que encontram-se agora literalmente lançados em algum lugar de São Paulo... Alguém pode negar que o lançamento foi um sucesso?!

Mas São Paulo tem umas figuras bem interessantes. Engraçado que a maioria não é de São Paulo. De São Paulo, mesmo, só os meus amigos Franco e Vini... (e nossos planos ON THE ROAD pelo Nordeste...) Fiquei na casa do meu amigo Pedro Tostes, que é carioca, mas mora lá há anos, já se apaulistanou. Ele diz que o sotaque típico do paulistano é nordestino – é o que mais se ouve por lá. Ele que me apresentou o escritor Xico Sá lá no Parlapatões, e o cara resolveu declarar toda a sua repentina paixão bêbada por mim, atirando-se ao chão para beijar meus pés e coisas do tipo. Claro que no dia seguinte ele não ia lembrar de nada, e certamente não lembrou, e se ele não lembrou, ele não fez! - eu não rompo com esse código ético dos bêbados. Então isso pode ser apenas fruto da minha imaginação... que seja. A melhor frase que ouvi, ao rebater que não, eu não era, definitivamente, a mulher mais linda do universo, embora me considerasse até muito bonita e coisa e tal, a melhor da noite foi “-beleza é ritmo, baby!”. E isso valeu aquele encontro cheio de ritmo, baforadas de cigarro entre frases certeiras, que terminou com ele me dizendo que então iria pegar uma puta, depois de perceber que embora eu estivesse me divertindo, não, eu não iria trepar com ele por umas frases de efeito. Ah, sim, o Xico Sá não é de São Paulo, não lembro de onde ele é, mas não é paulistano. Assim como o Mário Bortolotto, que tem a maior cara de paulista, mas é de Londrina. O Mário eu encontrei na Mercearia no dia do lançamento do meu livro e fiquei com a séria impressão de que ele não estava lá por causa disso, mas por acaso mesmo, embora eu tivesse mandado convite, sei lá, ele devia saber que tava rolando... mas não tava com cara de que tava lá por isso. Só o cumprimentei no balcão, a tempo dele me apresentar a nova namorada dele, e no more. Achei meio esquisito mas o cara tava com a namorada e os caras ficam mesmo meio esquisitos quanto estão com as namoradas, então tá tranqüilo. Lémdomais, ele já tem o livro.

No smoking. É única coisa que me deixa pirada.


No smoking e esse repouso forçado. Peguei uns filmes. Peguei muitos filmes. Vi quatro no DVD esse fim de semana, e 2 na televisão. Prefiro não comentar os da TV...
Mas vi o DEAD MAN, do Jim Jarmusch, que era um dos que eu ainda não tinha visto dele, e que é com o Johnny Depp, um dos meus atores preferidos, e foi um pouco cansativo porque eu estava lesada com a febre, mas ele também tava fodido no filme então deu pra eu me identificar um pouco - e tinha umas cenas que eram pura poesia... E aí eu vi um outro que era com outro dos meus atores preferidos, o Clint Eastwood, dele mesmo, GRAN TORINO, que é porrada e eu achei do caralho.
E vi ainda SHORT CUTS, do Robert Altman, que em algum nível subconsciente me remeteu ao grande ENSAIO DE ORQUESTRA, do Fellini, que sabe-se lá por que é um dos meus filmes preferidos – talvez pela contundência daquela coisa toda anárquica e visceral que faz da gente artistas ou simplesmente pessoas que vivem de verdade as suas vidas em vez de esperar pacientemente pela morte como naquela música do Raul Seixas que o cara se senta “no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”... não, na verdade ele NÃO se senta.
Na verdade o terremoto de SHORT CUTS me lembrou a demolição de ENSAIO DE ORQUESTRA, foi só isso. Mas tem sempre uma cena que basta pra você falar, que foda! Embora tivesse muita coisa ali no meio. E o terremoto não fosse nada. Apenas uma sensação extremamente necessária praquele filme todo fazer sentido pra mim. Alguém morreu e foi só isso. A vida segue seu curso. Ou não. Tanto faz. A gente tem que continuar e é o que acontece.
O outro filme foi um do Woody Allen que eu ainda não tinha visto, O QUE HÁ, TIGRESA?, em que ele faz uma dublagem louca de um filme de ação japonês bem ao estilo dele, que eu, particularmente, adoro. Aí hoje peguei mais 3 dele, porque eu tô afim de dar risada, e stund-up comedy não funciona comigo. Definitivamente. Então é isso, eu tô aqui, fodida, no smoking, no drinking, no street, no fucking... cama e inalação daquelas maquininhas de bronquite de criança. Eu aqui fodida e tudo o que eu quero é dar risada. É o que faz sentido pra mim. Alguém morreu e foi só isso. A vida segue seu curso. Ou não. Tanto faz. A gente tem que continuar e é o que acontece.

7 comentários:

R. disse...

Sampa é de tirar o fôlego. Literalmente.
Melhoras para a poeta.

Rodrigo.

Anônimo disse...

Pelo menos rendeu um post bacana, melhoras aí. A gente continua. Abrç..
Seiji

Beatriz Provasi disse...

valeu, Rodrigo; valeu, Seiji. pelo menos tô vendo vários filmes q eu tô afim e não tô indo pro trabalho! rs... beijos

Anônimo disse...

Beatriz,minha memoria bebada é otima e lembro de tudo ou quase tudo.aquela enevoada e boa impressao da viagem ao fim da noite. beijo grande pra tu e volte dja.xico sa

Beatriz Provasi disse...

ah, bem-vindo! se soubesse q tu ia aparecer por aqui, escrevia umas coisas mais elogiosas... rs... foi uma ótima noite, me diverti! vc é uma dessas figuras q valem a pena por aí... beijos

bruno bandido disse...

só filme bom.

Beatriz Provasi disse...

tb achei.