20.7.12

Poema vagabundo para um bluesman qualquer


pego a estrada com vc
e cruzo tudo q é fronteira a pé
sob um baita temporal
usando um jornal de guarda-chuva
vc pode fazer as curvas mais radicais
com o meu carro
e até jogá-lo numa vala
- ele já tá pago -
a gente dá risada e larga ele lá
e sai nadando
e vai parar num mar do Caribe ou sei lá
qualquer lugar
q tenha um bom uísque
ou a pior bebida no pior dos bares
eu não faço mais questão de cama
a grana acabou, meu bem
a gente dorme na rua na grama no banco da praça
vc me acorda com sexo e blues, e tá bom
- bom dia, baby! -
eu te preparo o café
se tiver onde coar
e a gente fica lá
quarando ao sol
e enche a cara e briga por qualquer bobagem
e eu vou dar pro seu melhor a amigo
- a gente já sabia que ia acontecer -
eu sou uma mulher carente
- todas são.
vc vai querer se livrar de mim
eu vou querer te matar
- a gente sabia q ia ser assim –
então a gente bebe mais uma no próximo bar
e segue viagem...
vc esquece repentinamente
as contas pra pagar
se acumulando embaixo da sua porta
eu esqueço
q em algum lugar eu tinha uma porta
as paredes foram feitas
pra gente atravessar, cê sabe
e a gente sai derrubando tijolos
chutando pedras
desmoronando o sorriso da cara dos bestas
perguntando, onde há
afinal, onde há gente no mundo?
seres humanos nos atravessam
e a gente pára pra escutar a melodia
de um cão vagabundo
o pior dos cães nos interessa
e eu tento escrever uma coisa bonita
e sai um poema apressado
uns versos de rodoviária
rabiscados no banheiro
vc nem liga, e tá tudo certo
e eu fico inventando essa coisa
de dançar
sob o céu do deserto...
mas isso é tudo besteira
é q eu sou uma mulher carente, cê sabe
e eu já bebi demais essa noite
e só tenho pra conversar
esse livro do Kerouac
meus planos de viagem
e uma carta pela metade

ps.: deviam dizer q é proibido reler “On the road”
após certa idade...

10 comentários:

R. disse...

Poema com jeito de que saiu do coração direto para o papel! Mandou muito bem, como sempre. Ah, espero estar lá dia 28 e finalmente te ver para além dos poemas.

Beatriz Provasi disse...

saiu foi de uma mente bêbada... o coração ficou perdido em algum lugar da estrada. quem achar, favor devolver! chega lá dia 28 sim, e fala comigo pra eu saber q vc é vc. valeu, beijos

R. disse...

Pode deixar, vou sim. E se puder te pago um drink, pra quem sabe poder dizer que contribuir para o próximo poema como esse, rs. Beijo.

Beatriz Provasi disse...

hahaha boa! vou aceitar o drink. só não garanto q vai sair o poema... às vezes a mente bêbada faz mais merdas q poemas. rs...

R. disse...

Infelizmente caí doente justo no sábado. espero que tenha sido uma boa celebração, mesmo. Mas vou querer o livro em breve e quem sabe ainda pagar aquele drink! rs. Beijo,

Rodrigo.

Beatriz Provasi disse...

pô q merda! espero q esteja melhor... foi uma bela festa, até onde eu lembro! beijos

Rogério Tomaz Jr. disse...

música! música! música!

Beatriz Provasi disse...

heehe Rogério.. sou louca pra musicarem algum poema meu, mas os amigos só ameaçam e não fazem - esse músicos são um bando de preguiçosos, uns bebuns inúteis... rsrsrs...

zorro disse...

Muito bonito . Viajei no poema. Eu toco blues e tenho uma banda de blues cujo nome é BLUES FOR BURROUGHS.É uma homenagem ao grande mestre Old Bull Lee mas Jack Kerouac é prá mim o maior . Em 1984 com o ON THE ROAD debaixo do braço fui de Porto Alegre até Canoa Quebrada que por sinal ainda não tinha luz elétrica.Beatriz, como diz Tavinho Paes, tu és SIMPLESMENTE DEMAIS

Beatriz Provasi disse...

oi zorro, valeu! pô, Burroughs tb é demais! Almoço nu me atingiu em cheio. mas On the road parece q tira a gente do lugar - e tira mesmo, literalmente. engraçado q a primeira vez q eu li foi no meio de uma viagem longa pelo nordeste em q eu passei por Canoa Quebrada. mas já tinha luz elétrica e toda uma estrutura turística. ainda assim com seu encanto... e as estradas lá praquelas bandas são lindíssimas! bom, valeu pelo comentário, e desculpa a demora em responder, q eu estive off line durante algum tempo... beijos