28.2.10

RASURAS

quem passa borracha no peito?
me ensina a apagar
quem passa borracha, liquid paper
me ensina!
quem consegue escrever outra coisa por cima?
eu rabisco, puxo uma seta, escrevo do lado, em cima, embaixo...
trago no peito um coração rasurado
sem ter onde passar a limpo
sem poder jogar fora o rascunho
aí acaba que ninguém entende esses meus rabiscos
e eu não posso reclamar compreensão
não posso reclamar
eu tenho um coração ilegível

4 comentários:

|Fly| disse...

E com esta poesia tu bagunçou ainda mais o meu coração, que também é ilegível (até para mim).

Beatriz Provasi disse...

o nosso rascunho a gente sempre entende - e só a gente entende. foda é quando vem alguém rabiscar por cima... aí embaralha tudo! e sempre vem alguém rabiscar por cima. às vezes sem nenhuma intenção, como quem rabisca um papel enquanto fala ao telefone... só que isso não é um papel, porra! isso é o meu coração! aí vai explicar que aquele papel rabiscado é um coração... ninguém entende. (e eu não posso reclamar compreensão)

jupyhollanda disse...

lindo amiga!!!

me fez lembrar dessa música:

Máquina De Escrever
Pedro Luís & A Parede
Composição: Mathilda Kovak e Luís Capucho

Meu coração é uma máquina de escrever
As paixões passam
As canções ficam
Os poemas respiram nas prisões
Pra ler um verso, ouvir, escutar
Meu coração falar
Até se calar a pulsação
Meu coração é uma máquina de escrever
No papel da solidão
Meu coração é
Da era de Guttemberg
Meu coração se ergue
Meu coração é
Uma impressão
Meu coração
Já era
Quando ainda não era
A palavra emoção
Mas há palavras no meu coração
Letras e sons
Brinquedos e diversões
Que passem as paixões
Que fiquem as canções
Nos poemas, nos batimentos
Das teclas da máquina de escrever
Meu coração é uma máquina de escrever
Ilusões
Meu coração é uma máquina de escrever
É só você bater
Pra entrar na minha história

B-Ju

Beatriz Provasi disse...

adorei a música, obrigada, ju! beijo