5.8.07

navalhas e bisturis







salvo poemas à beira da morte
talhando palavras com bisturi
como se o deslizasse
sobre a carne humana
corte preciso
e necessário
porque há algo dentro que não vi
um órgão que falha

às vezes meto logo a navalha
puta em briga de rua
que escancara o verbo
puxa a gilete
e se lasca

gosto dos versos descabelados
com que me atraco
no chão imundo
de um pardieiro
fica no ar um odor
que é ainda melhor
que o cheiro do hospital
- o mesmo éter pra todo caso terminal

mas retomo o bisturi
a agulha de cerzir
corto, costuro aqui e ali

há poemas que desmaiam
perdem os sentidos
há os que perdem a vida
na mesa de cirurgia
e há ainda os que morrem à míngua
na fila de espera de um transplante
mas tem poema que fura a fila,
se apressa
no tráfico de órgãos que eu mesma faço
não pondo preço,
mas por puro apreço
a alguns versos

médica ou puta
bisturi ou navalha
de tudo me valho
porque o que vale
é o poema que vive
é o poema vivido.


(obs.: Este ainda vai pra mesa de cirurgia um dia... mas já tá vivo)

4 comentários:

rick disse...

pura belezura. faca só lâmina. imagens claras translúcidas. bjovos.

Beatriz Tavares disse...

q bom q gostou! bjs!

Carol Luisa disse...

**taqpariu,q f***=D

É o poema q eu queria fazer,mas não fiz por incompetência,ou sei lá o q.É lindo esse poema,adorei;)


Kisses=**********

Beatriz Tavares disse...

Valeu, Carol! Beijos!