15.12.06

Meus poetas ocultos

Quarta rolou a penúltima edição do ano do Ratos di Versos no Beco dos Ratos, Lapa, Rio, Brasil. A edição histórica, a mais aguardada do ano, a edição em que foram revelados os poetas ocultos! O poeta oculto é uma apropriação reconfigurada do tradicional amigo oculto pelos poetas: em vez de presente, poesia. Cada um escreveu um poema originalíssimo para o seu poeta oculto e recebeu um para si! Foi a roda de poesia mais emocionante da qual já participei! No que me cabe, confesso que fiquei com os olhos cheios d'água quando fui me vendo desenhar nos lindos versos do Gean, lidos com aquela doçura passional da Juju! Lindo! Amei! E também amei escrever para o Dalberto, que não é dos meus amigos mais próximos, mas uma figura que eu muito admiro e um poeta de boca cheia! Salve Dalberto! Salve Gean! Salve Juju! Salve Maristela! Salve Carluxo! Salve Dudu! Salve Daniel e Piti! Salve Nietzsche e Tiça! Salve Saulo! Salve também os que não estavam lá, Chacal, Maurição, Tavinho, Alex Topini e Cataldo! Salve todos os amigos poetas ocultos ou declarados!
E eis as minhas poesias:

de Bia Tavares para Dalberto Gomes

das entranhas rasgadas da terra
surge um suntuoso dragão
que cospe poemas de fogo
e raios de trovão
reina entre feras intrépidas
e entes mitológicos
suas temíveis presas
se soltam em largos sorrisos
pois que tão grande se fez
apenas para que lhe coubesse
um enorme coração
quando pés no chão
custa-lhe arrastar a pesada cauda
pela aspereza do mundo
mas a natureza sabe o que faz!
deu-lhe asas
e fogo nas ventas
fez-lhe poeta
entre poetas

de Gean Queiroz para Bia Tavares

Percorrer as ruas do mundo
De mãos dadas com todos os nossos heróis
Das letras e das telas
Ela faz cinema como quem pinta uma página em branco
Ela escreve versos como quem filma a alma das flores
Ela não esconde as dores
Ela não teme as ruas escuras
Seja na Avenida Dropsie
Ou nos becos sujos da Lapa
Ela cruza as longas pontes
Ignora as distâncias
Para nos brindar com vistas panorâmicas
De seus olhos verdes
Ela está à solta numa noite qualquer
Armada de visões macroscópicas de nosso tempo
Ela registra o vento
Ela edita os sentimentos
Abre sorrisos amplos de idéias
Que mundo é esse em que ela vive?
Garota esperta, afastou a nicotina de sua vida
Mas vive entorpecida de elogios
O mundo a rodeia embevecido
A liberdade sopra profecias em seus ouvidos
Enquanto as águias voam ao seu redor
Ela está plena de incompletudes
Carrega um vazio repleto de tudo
Ela faz cinema para eternizar o instante de suas incertezas
Ela não quer ficar pra sempre
Mas que seja enquanto esteja
Venha sempre com sua câmera de raio x das essências
Venha com seus poemas e seu olhar transparente
Venha com seu sorriso em transformação
Sua timidez
E sua admirável ousadia
Ela é do CEP
Ela é dos Ratos
Ela é dos Versos da Meia-Noite
Ela é Almodóvar
Ela vai pra Cannes
Ela escreverá um best-seller
Ela cruza a ponte
Ela vai longe
Muito além do horizonte
Ela atravessa a noite
Ela ilumina o dia
Perto de nós
Sempre
Simplesmente
Bia.

6 comentários:

Anônimo disse...

bia,
que poemas bem tirados. vc musa e inventora. dedicando e dedicada. bia, vc me entontece. bjão. ch.

Anônimo disse...

bia,
que poemas bem tirados. vc musa e inventora. dedicando e dedicada. bia, vc me entontece. bjão. ch.

Beatriz Tavares disse...

Que bom que gostou! Eu amei a brincadeira! Esse deveria ser o espírito natalino. Nada de consumo. Troca de presentes. Enfrentar shopping lotado. Sol de 40 graus nas ruas do centro. Gastar dinheiro. Perder tempo. Se estressar. Ganhar um monte de coisas de que não precisa. Dar outras tantas que ninguém precisa. Pra quê?! Muito melhor trocar poesia! É bom de dar. E ainda melhor de receber. E quem não precisa de poesia pra alimentar a alma?!... Eu preciso! Sempre!

maristotelica.blogspot disse...

Ainda sinto falta dessa brincadeira.
O Nietzsche, a um tempo atrás fez a belezura de ir escrevendo um poema para cada rato e, na verdade de vez em quando isso rola. Mas aquel dia foi TUDO DE BOM! Por isso não quis adiar. Seria sofrer demais não viver o brilho da estrela que passava!
Na roda de sama, a poesia clareou!
Já te disse:
obrigada pela idéia, sempre sorrateira e bela da Bia!
Bjssssss

Beatriz Tavares disse...

É, foi tudo de bom! Eu que agradeço a todos pelos belíssimos poemas com que nos presenteamos!

Anônimo disse...

Poeta oculto


A madrugada chega,
E ele ainda está acordado
Junto a sua amiga caneta
Vai rabiscando folhas e folhas...

Suas composições falam de amor
Da vida, do mundo, de esperança e de fé
Na sede e no compasso
Das batidas do seu coração

Ninguém sabe dizer
O que se passa em seus pensamentos
Nem de onde vem tanta inspiração
A chuva da meia-noite
A alegria, a amizade, a companhia.
A dor de um amigo
Ou um amor perdido
Motivos para escrever em silêncio...
Em silêncio escrever...

Ele não precisa gritar para o mundo
Um verdadeiro poeta sempre sabe
A hora certa de falar
Misteriosamente, vai escrevendo.
Somente o que precisamos ler
Querendo não mudar o mundo.
Mas, ajudar-nos a entender.
Que aprender a vencer ou perder
Depende somente de nós

Talvez, ao ler, não compreendamos.
Talvez, nunca consigamos entender.
Mas, em cada canto do mundo.
Há alguém assim...
A rabiscar em suas folhas
Sobre seus curtos ou longos
Pensamentos, inquietos e vivos.
De um poeta oculto.

Weslley Marchezan. Poema de abertura do Livro: Amizades são mananciais, de Cláudio Cássio. Ed.Paulinas,2010.