21.10.10

como um blues rasgando a alma

como o sujeito que andava sozinho rente à mureta da ponte rio-niterói
sem se preocupar com os carros que zuniam na madrugada
num passo calmo entre o abismo da baía de guanabara
e a fúria dos motoristas noturnos em auto-estradas
como aquela menina de 11 anos que se trancava no banheiro pra chorar escondida
e que não entendia, não entendia, não entendia...
e que já tinha passado da fase dos "porquês"
"- por que a gente dói? por que a gente dói tanto?!"
não perguntava.
como o cara que dorme com a cara na mesa
depois de se encharcar de cerveja
e que há muito já perdeu o caminho de casa
"- por que a gente dói tanto?"
não perguntava.
como quem já perdeu a esperança
como quem já perdeu um filho
como quem perdeu o isqueiro e precisa
precisa muito fumar um cigarro
o último cigarro entre os dedos e a falta do isqueiro
e na falta do isqueiro o choro de tudo o que fora perdido
o que estava esquecido...
tudo na falta do isqueiro e aquele inútil cigarro entre os dedos
"- por que a gente dói tanto, meu deus?! por quê?"
como o sujeito na ponte
entre o atropelamento brutal
e o mergulho no abismo
"- por quê?"
não perguntava.
de que adianta saber?
não vai parar de doer. não pára...
como quando eu tinha 11 anos...
como agora, com este inútil cigarro entre os dedos.

6 comentários:

R. disse...

Gosto muito dos teus poemas, sempre passo por aqui mas não deixo comentários, e é sempre um dia depois de algum evento em que você participou. Vi que vai rolar essa apresentação no Museu da república, espero poder ir. Se não se importa, coloquei um link pro teu blog lá no meu. É muito bacana mesmo.
Abraço,
Rodrigo.

Jarbas Albuquerque disse...

por que?

Beatriz Provasi disse...

Oi Rodrigo, nos conhecemos de algum evento? se for, fala comigo. juro q eu não mordo! (às vezes rs...) beijos.

Jarbinhas, meu amor, de que adianta saber? não vai parar de doer...não pára. beijos

Seiji Kimura disse...

Essa foi no meio da testa! Parabéns pelo que tú escreve.

R. disse...

Beatriz, acho que me expliquei mal, rs.Não nos conhecemos, não. Quis dizer que sempre que lembro de dar uma olhada no "numa noite qualquer" pra ver se tem um poema novo ou se vai rolar alguma apresentação, dou azar e vejo que rolou uma na noite anterior. Mas parece que agora vou ter a oportunidade de ir conferir. E aparecendo, faço questão de falar contigo sim.
Um beijo,
Rodrigo.

Beatriz Provasi disse...

ah, entendi. achei q vc tinha me visto em alguma apresentação e aí veio conferir o blogue. (aliás, sempre fico curiosa pra saber como as pessoas vieram parar aqui...) valeu, Rodrigo, se aparecer lá então a gente se fala. beijos


Valeu, Seiji! beijos