14.1.10

Porque os nossos super-heróis não precisam de super-poderes...


Ontem passei a noite jogando vídeo-game com meu pai. Jogamos uma fita nova do Super Mario, e ele ficou me ensinando os macetes. Fazia uns 15 anos que eu não jogava. E como é bom se sentir a filhinha caçula quando já se está beirando os 30! Meu pai me ensinou a andar de bicicleta sem rodinhas, ele ia segurando atrás e eu dizia "não larga", aí ele soltava sem eu perceber e eu ia andando sozinha, de repente ele lá atrás começava a bater palmas e eu me desequilibrava. Eu desequilibrava para dizer "preciso de você". A gente sempre precisa de um pai para se sentir segura. Minha mãe eu sempre tive ao meu lado. Ele não. Então eu aproveito o tempo ao lado dele para aprender todos os macetes da fita do Super Mario! Ele pode me ensinar qualquer coisa, conectar a internet no laptop dele, como evitar o câncer de acordo com os médicos do Johns Hopkins, os macetes de uma fita de vídeo-game, qualquer coisa. É a atenção cuidadosa dele, na coisa mais simples, mais banal, o que faz eu me sentir segura, como uma criança aprendendo a andar de bicicleta sem rodinhas, que quando menos espera já está seguindo sozinha...

3 comentários:

jupyhollanda disse...

Que lindo Bia!!! Aproveite bem o seu pai e depois ensine as amigas a jogar videogame... ;) rsrsrsrsrs

B-Ju

*Lua* disse...

Acho que perdi a atenção do meu pai. Mas espero recuoerá-la para quando estiver " beirando os 30" dizer coisas semelhantes às que você colocou neste texto lindo.
Beijos!

Beatriz Provasi disse...

já tô craque, ju! já posso até dar um curso ou coordenar um campeonato! rs... beijos!

lua, se quer um conselho, conversa com ele. não é nada fácil dizer verbalmente "pai, eu preciso de você". mas eu já fiz isso, eu precisei fazer. e hoje entendo a forma dele de dar atenção (é diferente da minha, só isso). ele não demonstra interesse por tudo que eu faço, não me dá conselhos ou coisas do tipo, não liga no meu aniversário. mas me ensina uns macetes de um jogo de vídeo-game idiota, e eu percebo o valor que isso tem. ele não diz "eu te amo". ele deixa o único ventilador da casa no meu quarto e dorme no calor com os mosquitos. eu hoje consigo entender isso. consigo ouvir esse "eu te amo" camuflado em pequenos gestos. ninguém é perfeito. mas é como eu disse, os nossos super-heróis não precisam de super-poderes... e nem todos têm "visão além do alcance" pra perceber o que a gente não diz. boa sorte com teu pai! beijos!