No dia 9 de agosto, data que marca um ano da ocupação da
Câmara Municipal do Rio de Janeiro – Ocupa Câmara Rio –, será realizada a festa
de lançamento do livro “As guerras nos porta-retratos”, a partir das 20 horas,
no Estúdio Hanói.
O livro reúne poemas e fotografias realizados no contexto das
manifestações que eclodiram no Brasil a partir de junho de 2013, em que a
autora se oculta e se mascara, e revela, ao lado de seus poemas, as escrituras
anônimas das ruas nos mais variados suportes (faixas, cartazes, escudos,
adesivos, lambe-lambes, carimbos, projeções, pichações, grafite e estêncil). Os
dois primeiros capítulos trazem trabalhos das séries “Vandalismo Poético” e
“Ocupa Coração”. No último capítulo, poemas da fase anterior às manifestações
se intercalam a escrituras de outros períodos históricos, como as dos muros de
Paris em maio de 68, sob o título “Velhas fotos amareladas”.
O evento de lançamento, intitulado “Festa das Organizações
Amorosas”, também celebrará as lutas políticas que tomaram as ruas no último
ano, reunindo ativistas, artistas, advogados, socorristas e midialivristas de
diversos coletivos ou independentes; enfim, pessoas que ocuparam as ruas
criando uma rede de solidariedade e resistência que se estende até o atual
momento, com a luta contra a criminalização dos movimentos populares,
perseguições políticas e prisões de manifestantes, acusados de “formação de
quadrilha”. Como resposta poética, forma-se então uma “organização amorosa”.
Na programação, haverá apresentações de poesia, performance,
música e projeções, com palco aberto para diversas intervenções artísticas. A
autora apresentará performances em parceria com as artistas Flávia Cortez e
Aline Vargas. Haverá shows de Arnaldo Brandão e Claudia Sette, poemas de
Tavinho Paes, Dudu Pererê, Juliana Hollanda, Marcela Giannini, e muitos mais.
Entre as projeções, fotos de Marcelo Valle, vídeos de Rafucko, e a exibição de
um documentário sobre o Ocupa Câmara Rio, realizado por Ciro Oiticica.
O livro integra o projeto de pesquisa "Vandalismo Poético e outras Artes Marciais", em desenvolvimento no curso de
Doutorado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, em que a
autora aborda relações entre arte e política, a partir dos protestos de junho
de 2013 até as manifestações contra a Copa do Mundo no Brasil, em junho de
2014.
Não por acaso, o nome da autora não foi até agora revelado. A
estratégia de ocultamento é proposta do trabalho, com o desenvolvimento da
ideia de “mascaramento do autor”. A autora poderia dizer “Anota aí: eu sou
ninguém”, como uma militante do Movimento Passe Livre de São Paulo a um
jornalista que a interrogava sobre sua identidade no auge dos protestos de
junho; ou afirmar “Meu nome é Amarildo”, como os ocupantes da Câmara Municipal
do Rio de Janeiro a todos os repórteres, ou ainda cobrir o rosto com uma camisa
preta como os praticantes da tática Black Bloc. Como afirmou Peter Pál Pelbart,
mencionando Agamben, em artigo sobre as manifestações, “os poderes não sabem o
que fazer com a ‘singularidade qualquer’”.
Poeta e performer, mestre em Artes Visuais pela UFRJ, tendo
passado pelas graduações de Cinema-UFF e Artes Cênicas-UNIRIO, a autora integra
o grupo Madame Kaos, e tem no currículo inúmeras apresentações artísticas, e
outros três livros produzidos de forma independente. Atualmente, atende pelo
nome de Bakunin.
O
Estúdio Hanói fica na Rua Paulo Barreto, nº 16, sobrado – Botafogo. A entrada é franca e o bar não aceita cartão.
O livro custa R$20,00.
Link para evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/752979524760710/
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