10.4.12

NÃO AO AMOR – POEMA PARA O VENTILADOR

finalmente parei de falar de amor
- de tornar as coisas ridículas.
agora só falo do que realmente importa,
das coisas como elas são,
concretamente,
assim, sem emoção.
e de repente me pego olhando ternamente para um cinzeiro...
e de repente me vejo abraçando afetuosamente um copo d’água bem gelada...
meu deus, como eu amo as coisas!
não posso fugir disso.
sou capaz de escrever um poema de amor todo dedicado ao ventilador!
o modo como ele gira me dizendo não, não e não!
e delicadamente me assopra o ar no rosto, como uma carícia...
o modo como faz festa em meus cabelos...
o modo como me refresca, mesmo em sua obstinação pelo não.
ele não sabe o que diz – o ventilador.
essa coisa,
em sua dureza,
em toda a sua falta de sentimentos,
em sua aparente negação,
essa coisa me tem amor.
e não se engane, falo mesmo do ventilador;
não há metáforas nisso.
sei que pode parecer estranho,
mas na verdade é bem simples
como se constrói essa relação de amor
entre uma mulher e um ventilador:
toda coisa me tem o amor que eu lhe dou.
como
falar das coisas
sem falar de
amor?

4 comentários:

Luciane Mari Deschamps disse...

Simplesmente amei! Parabéns! Seu poema é único e muitíssimo criativo!!!!
Abraços,
Luciane Deschamps

Beatriz Provasi disse...

obrigada, Luciane! beijos

Reina disse...

que lindo poema parabéns! Muito bom mesmo!

Beatriz Provasi disse...

valeu! beijos