apague os raios da tv apague a luz apague a lua apague cada poste apague cada estrela desligue os faróis não coloque o pisca-alerta feche os olhos baixe a tela do laptop deixe a treva me envolver faça barulho, grite, cante, berre, buzine emita o raio de som que quiser! mas apague todos os raios de luz dê férias remuneradas para o sol ele que vá brilhar em outras galáxias! escuridão, por deus, escuridão! meus olhos pedem descanso meus olhos já viram tanto meus olhos pesam não tenho sono eu apagada não quero ver quero despencar da janela do 14o andar num baú de noites escuras ter 24 horas de infinita madrugada transitar pelos becos mais sombrios noite sem lua em mata fechada todos os sons da mata, todos os da cidade mas nenhuma, absolutamente nenhuma claridade! quero enxergar a cor da solidão quero sentir a vida em braile já passa da meia-noite não me acorde amanhã [lembrete: comprar cortina nova para o quarto] sol, não me acorde amanhã sol, me deixe só - alô, é do corpo de bombeiros? há um incêndio no céu! alguém, por favor, tenha a bondade de apagar o sol! e não se esqueçam: o último a sair, desligue o interruptor. é no escuro que os brinquedos dançam pondo medo nas crianças me deixe dançar com meus medos, com meus brinquedos, minhas crianças... me deixe assustar os monstros debaixo da minha cama... se quer iluminar, que arrume outra companhia! já pedi, por deus, me deixe me deixe escurecer sozinha.
Foi meu melhor presente de aniversário, embora com uns diazinhos de atraso. Fui aprovada no vestibular de teatro da Unirio! Fiquei em 30º lugar. Ainda não fui chamada, pq pro primeiro semestre são 25 vagas. Mas acho que na reclassificação, entro logo no primeiro semestre. Assim espero! Senão, daqui a 6 meses eu tô lá. O importante é que EU PASSEI! trálálá... Depois digo onde vamos comemorar! Mas vai ser sem álcool, que eu tô sem fumar! (ai, que vontade, que vontade que dá... bia, se controla! eu vou me controlar.)
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto. Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, De ser inteligente para entre a família, E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, O que fui de coração e parentesco. O que fui de serões de meia-província, O que fui de amarem-me e eu ser menino, O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... A que distância!... (Nem o acho... ) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos! O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, Pondo grelado nas paredes, O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), O que eu sou hoje é terem vendido a casa, É terem morrido todos, É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ... Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, Por uma viagem metafísica e carnal, Com uma dualidade de eu para mim... Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com mais copos, O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado, As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! Hoje já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
Dia 05/10 (domingo) - Lançamento do livro-instalação "Programa de Governo para Almas Desgovernadas ou Programa Desgoverno", a partir das 14h, na Cinelândia.
Dia 09/10 (quinta) - Apresentação do trabalho "Mascaramento da autora e escritura expandida", com performance e lançamento de livros, das 9h às 10h30, no Seminário Letras Expandidas, na PUC-Rio, Sala LF 42. Link: http://letrasexpandidas3.wordpress.com/
Anteriores:
Dia 09/08 - Lançamento do livro "As guerras nos porta-retratos", a partir das 20h, no Estúdio Hanói (Rua Paulo Barreto, nº 16, sobrado - Botafogo).
Dia 23/08 - Jardins Suspensos, no Morro da Babilônia.
Dia 28/08 - CEP 20.000, no Sérgio Porto.
Dia 14/09 - Lançamento do livro "As guerras nos porta-retratos", a partir das 18h, no espaço Hussardos, em São Paulo.
Poeta, atriz e performer; com formação em Cinema-UFF (1999-2006) e Artes Cênicas-UNIRIO (2008-...), cursando Mestrado em Artes Visuais na UFRJ. Autora dos livros INVENTOS RAIOS E TROVÕES (2008), ESFINGE (2010) e TODOS ESSES CÃES LATINDO NO PEITO (2012). Integra o grupo MADAME KAOS, com Juliana Hollanda e Marcela Giannini, e com elas também o coletivo HEART-ACTION, com Tavinho Paes e Arnaldo Brandão. Em 2005, lançou o fanzine FOLHAS AO VENTO na FLIP, em Paraty, onde apresentou sua poesia pela primeira vez. De lá pra cá, lançou mais dois zines, criou o blogue NUMA NOITE QUALQUER e passou a falar poesia em vários espaços: CEP 20.000, Corujão da Poesia, Versos da Meia-Noite, Versos (Ins)Pirados, República dos Poetas, Ratos di Versos, Filé de Peixe, Caldo Cultural, Geringonça, etc. Formou com Chacal a dupla BIA&CIA. Se apresentou com o VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA. Criou o evento POEMÁTICA - A INDISCIPLINA DA POESIA, e também participou da produção do CORUJÃO DA POESIA de Niterói. Em 2008, foi convidada a realizar os saraus da Casa do JB na FLIPORTO, em Porto de Galinhas, com o grupo do Corujão. Em 2009, com Betina Kopp e Lucas Castelo Branco, foi convidada a realizar performances nos lançamentos dos livros “Alumbramentos e perplexidades - vivências banderianas”, de Edson Nery da Fonseca (FLIP), e “Estribilho do encarcerado”, de Ana Maria Carvalho (DiVersos). Participou do lançamento do CD “Amnésia Programada”, de Arnaldo Brandão, na Cinemathèque. Em 2010, participou do lançamento do CD “Cala a boca e me beija”, de Karla Sabah, no Teatro Rival; e de shows do Arnaldo Brandão na FLIP, no Hipódromo Up, no Centro Cultural Solar de Botafogo, no Zozô Bar etc. Participou da FLIPORTO, com o grupo do Corujão da Poesia. A convite da Editora Moderna, se apresentou em diversas escolas. Participou do grupo de Processos Coletivos de Criação Teatral na UNIRIO, realizando ações de teatro-performance na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana, e nos jardins da UNIRIO. Criou uma série de experimentos performáticos intitulados “Poeta bom é poeta morto – o transtorno passa, a obra fica”, com ações em diversos espaços, em 2010 e 2011. A convite da Aliança Francesa, participou das performances “24 horas da vida de uma mulher”, das artistas francesas Emmanuelle Becquemin e Stéphanie Sagot, em 2009, e “Choc’s d’amour”, da performer Tania Alice, em 2010, no Sofitel, e “Viva a diferença”, em 2011, na loja da grife Gilson Martins. Em 2011, se apresentou no evento "A palavra toda", no SESC Copacabana, com curadoria de Chacal e Heloisa Buarque de Hollanda. Na Bienal de Cultura da UNE, com o grupo do Corujão da Poesia. No evento "Poesia no SESI", coordenado por Claufe Rodrigues e Mônica Montone. Em show no Sallon 79, em Botafogo. Etc. etc. etc.