16.2.14

APRESENTAÇÃO ABERTA AO PÚBLICO

A minha Dissertação de Mestrado, "Meu corpo como livro", resultado de pesquisa artística que venho realizando desde 2009 em performances e na composição de livros, e que a partir de 2012 passou a ser desenvolvida na Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRJ, será defendida nesta terça, com apresentação de performance artística aberta ao público. Segue o flyer:

12.2.14

SOBRE O ROJÃO NOSSO DE CADA DIA

a Rede Globo explodiu um rojão na minha cabeça
há muitos anos, a Globo tem causado mortes cerebrais
por atrofia de pensamento
eu me apalpo e percebo que ainda não morri
olho muito abismada para as coisas do mundo
eu penso.
quem acendeu aquele rojão?
quem atirou um artefato explosivo a esmo
no meio da multidão?
quem REALMENTE causou a morte do cinegrafista
e de tantos outros cujas vidas tinham menos valor
para a cobertura da Rede Globo?
o Estado acendeu o rojão;
Cabral, Eduardo Paes e suas polícias.
a Globo, junto a outras mídias,
deu cobertura.
há imagens que mostram claramente
a Globo passando o rojão
para as mãos de Sérgio Cabral.
não se enganem,
estão todos com as mãos sujas de sangue!
há mesmo quem diga que aquilo foi bomba de efeito moral
(a explosão é igual)
já não importa para onde vai levar a investigação:
a Globo já condenou,
não dois moleques inconsequentes,
não o Black Bloc,
condenou toda e qualquer forma de
MANIFESTAÇÃO.
taí o rojão, segura!
agora lança no deputado da oposição!
agora lança na Sininho, no Peter Pan,
e em todos os meninos perdidos da Terra do Nunca,
que cometeram o terrível crime de não crescer!
aproveita e lança também no Batman!
mas deixa o Coringa, o Pinguim e o Capitão Gancho
resguardados.
como cantava Elis: “Eles venceram,
e o sinal está fechado pra nós, que somos jovens”
a Globo explodiu um rojão na minha cabeça
e eu ainda estou catando os pedaços do meu cérebro
espalhados pelo chão; ainda estou viva.
um dia conseguiremos pensar
sobre tudo isso
se o pensamento, enfim,
não for também proibido.


#vandalismopoético 

1.2.14

#ocupacoração

Às vezes, o meu coração desocupado fica ali prostrado, estourando plástico bolha durante o dia inteiro. O coração desocupado, às vezes, se enche de pensamentos impróprios. Se pergunta, por exemplo, por onde andará aquele ocupante que saiu vandalizando tudo? E se lembra com certa saudade de cada cena de vandalismo, o fogo todo, as explosões, tudo lindo! E se esquece de lembrar que aquilo tudo devia doer. Talvez tenha doído um bocado. Mas um coração desocupado já não sente nada. Apenas fica ali, estourando plástico bolha, sem mais nem porquê. Sequer se dá ao trabalho de pensar que o plástico bolha não nasceu pra gente estourar. O plástico bolha foi feito para proteger objetos frágeis do contato com superfícies duras, para impedir quebras ou rachaduras. O coração devia se envolver inteiro em plástico bolha, quilômetros e quilômetros de plástico bolha para cada coração. E então, um coração desocupado só seria penetrado por outro coração desocupado, que viesse assim de mansinho, distraído, quem sem querer, estourando as bolinhas uma a uma com delicadeza nas mãos. É tudo muito delicado no contato de um coração com outro coração, são objetos frágeis. Há coisas que não podem ser vandalizadas. Ploct, ploct, me diz o plástico bolha. Devo considerar isso. É sempre bom ouvir um conselho de amigo.